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Venda de títulos Dim Sum da China sobem no 2º trimestre

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Um rali de quatro meses nos papéis offshore em yuans ajudou a emissão a quase dobrar neste trimestre. Ganhos adicionais podem depender da capacidade da China de conseguir limitar as perdas da moeda e os calotes.

As ofertas de dívida em yuans fora da China deram um salto para 23,9 bilhões de yuans (US$ 3,6 bilhões), frente a 12,9 bilhões de yuans no primeiro trimestre que foi o mais baixo desde 2013, mostram dados compilados pela Bloomberg. O prêmio de rendimento para as notas frente às equivalentes onshore se reduziu porque o yuan teve um rali em Hong Kong e apagou os declínios deste ano.

Embora o Banco Popular da China (PBOC, na sigla em inglês) tenha feito intervenção no mercado e reprimido os fluxos de saída de capitais para reforçar a moeda, os estrategistas continuam projetando perdas. A emissão foi equivalente a menos de metade das notas que vencem no mercado Dim Sum durante os últimos dois trimestres, um sintoma do crescimento da dívida corporativa e da desaceleração da expansão na segunda maior economia do mundo que está preocupando os investidores.

"O mercado de papéis pode continuar sendo atraente, mas considerando os graus variados de preocupação com uma depreciação, eu imaginaria que possivelmente alguns investidores cobririam parte do risco cambial", disse Kenneth Akintewe, gerente sênior em Cingapura da Aberdeen Asset Management, que administrava US$ 421 bilhões em ativos no dia 31 de março. "Não temos uma postura enormemente construtiva quanto à perspectiva para a moeda. Não somos tão negativos quanto o mercado, que espera uma depreciação importante".

Formas de investir

Os investidores precisam de formas de investir no mercado offshore de yuans porque a China visa ampliar a utilização global da moeda e ela entrará oficialmente na cesta de moedas de reserva do FMI em outubro. Além disso, a dívida chinesa oferece yields relativamente atraentes, já que os principais bancos centrais têm mantido as taxas de juros quase zeradas. A dívida em yuans negociada fora da China deu retorno de 3,7 por cento desde o final de janeiro, segundo o índice BOCHK Offshore RMB Bond.

A moeda se recuperou para 6,5662 por dólar em Hong Kong após tocar a cotação mais baixa em cinco anos em janeiro, sendo que as reservas de moeda estrangeira da China cresceram durante dois meses consecutivos. A volatilidade implícita de três meses, um indicador das oscilações projetadas para os preços, caiu para o patamar mais baixo desde outubro. O Ministério das Finanças disse na segunda-feira que emitirá títulos em yuans em Londres no futuro próximo, justo quando a média de yields para a dívida offshore em renminbi caiu para 4,69 por cento neste mês, a taxa mais baixa desde novembro, mostra um índice compilado pelo Deutsche Bank.

O desempenho dos títulos Dim Sum diverge do yuan no mercado offshore desde março, fato que mostra que a demanda dos investidores está crescendo apesar de que a fraqueza da moeda apresenta o risco de afetar os retornos. O yuan em Hong Kong recuará 1,4 por cento neste ano, para 6,66 por dólar, e mais 1,8 por cento em 2017, para 6,78, segundo a mediana de estimativas em uma pesquisa da Bloomberg. O PBOC reduziu a taxa diária de referência do yuan para 6,5693 por dólar nesta quarta-feira, o valor mais fraco desde março de 2011.

Problemas com dívidas

Os dados sobre produção industrial e vendas no varejo da China não atingiram as expectativas para abril, o que dificulta às empresas locais o pagamento de dívidas. Pelo menos dez emissores descumpriram obrigações com títulos onshore neste ano e as empresas retiraram pelo menos 175 bilhões de yuans em ofertas de notas locais neste trimestre. No âmbito offshore, as vendas continuam equivalendo a só 40 por cento das notas que vencem no primeiro semestre.

"Poderia haver um pouco mais de volatilidade por causa do possível aumento das taxas de juros nos EUA em junho e por qualquer possível volatilidade provocada pelos calotes nos mercados corporativos", disse Manu George, diretor de investimentos em renda fixa para a Ásia em Cingapura da Schroder Investment Management, que administra US$440 bilhões no mundo todo. "Esse tipo de coisa obviamente tem impacto sobre os retornos".

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