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Goldman vê taxa de calote de título corporativo na China em 0,2%

Lianting Tu

(Bloomberg) -- O esforço da China para respaldar empresas em dificuldades está mantendo sua taxa de calotes de títulos corporativos em uma fração da média global, mesmo após a expansão dos calotes nos últimos dois anos. Essa não é uma estatística que os investidores estão celebrando.

O Goldman Sachs estima que cerca de 0,2 por cento dos títulos corporativos chineses estejam em calote, excluindo aqueles que foram totalmente pagos posteriormente. Trata-se de um ritmo baixo se comparado ao calote de 0,8 por cento das emissões corporativas globais nos últimos 12 meses e de 0,9 por cento das emissões americanas, segundo dados da Moody's Investors Service.

Embora o premiê Li Keqiang tenha prometido eliminar as chamadas empresas zumbis, em algumas oportunidades os governos locais se apresentaram para ajudar empresas em dificuldades a pagarem dívidas, como é o caso da Heilongjiang Longmay Mining Holding Group. As obrigações corporativas atingiram um recorde de 165 por cento da produção econômica no fim do ano passado, mostram os números mais recentes da Bloomberg Intelligence. A AllianceBernstein disse neste mês que demorará pelo menos mais 12 meses para que o risco de crédito seja apropriadamente precificado e a BlackRock disse que o crescimento impulsionado por um empréstimo desse nível é insustentável.

"Os governos locais e o governo central estão tentando ajudar as corporações a atrasarem os calotes", disse Iris Pang, economista sênior para a grande China da Natixis em Hong Kong. "Isto continuará, do contrário haveria uma série de calotes, que poderiam desencadear uma crise de crédito e, posteriormente, uma crise de liquidez".

Pelo menos 10 empresas, um recorde, deixaram de efetuar pagamentos de títulos locais neste ano em meio ao crescimento econômico mais fraco em 25 anos. Em 2015 foram sete e em 2014, uma. O Goldman estimou, em nota de 19 de maio, que a quantidade nominal total de títulos em calote é de 30 bilhões de yuans. O banco comparou esse total com os 15 trilhões de yuans em títulos corporativos em circulação e disse na nota que "é necessário que haja mais calotes, porque eles são necessários para melhorar o processo de alocação de crédito".

A produtora de carvão estatal Heilongjiang Longmay Mining disse em novembro que utilizaria fundos do governo da província de Heilongjiang para efetuar pagamentos de títulos em dezembro. A Xining Special Steel informou em um comunicado, nesta semana, que o governo regional prometeu oferecer apoio financeiro para os pagamentos de suas notas se necessário.

"O mercado de títulos da China começou a se abrir apenas nos últimos tempos", disse Andy Seaman, gerente do Renminbi Bond Fund na Stratton Street Capital. "Quando houver mais investidores internacionais com negócios na China os governos regionais poderão ter uma disposição menor para resgatar os detentores de títulos e as taxas de inadimplência serão similares às taxas globais".

Título em inglês: Goldman Sees 0.2% China Bond Default Rate as Zombies Kept Alive

Para entrar em contato com o repórter: Lianting Tu em Hong Kong, ltu4@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto tmarotto1@bloomberg.net, Patricia Xavier

©2016 Bloomberg L.P.

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