Bolsas

Câmbio

Petróleo a US$ 50 é importante somente se veio para ficar

Alex Nussbaum

(Bloomberg) -- Para o setor de petróleo, o barril a US$ 50 é um bom começo. A grande dúvida agora é: o que vem a seguir?

Os preços do petróleo em Nova York e Londres superaram rapidamente nesta quinta-feira essa barreira, há muito aguardada, ajudados por interrupções na oferta em lugares como Canadá e Nigéria e pela queda na produção dos Estados Unidos. Mas o petróleo provavelmente terá de subir para pelo menos perto de US$ 55 -- e sinalizar que a alta veio para ficar -- antes que as exploradoras comecem a se sentir seguras novamente, disseram analistas nesta quinta-feira.

"Trata-se de uma marca psicológica", disse Michael Wittner, chefe de pesquisa no mercado de petróleo do Société Générale em Nova York, em entrevista por telefone. Contudo, "parte do petróleo nigeriano e todo o óleo canadense retornarão e a grande pergunta é se esse retorno terá importância. É possível que o mercado não se importe".

As 50 maiores petroleiras de capital aberto do mundo precisam de um preço médio de US$ 53 por barril para deixarem de perder dinheiro, disse a consultoria Wood Mackenzie em um relatório no mês passado. Para as produtoras de xisto dos EUA, o petróleo pode precisar subir mais para perto de US$ 55 para que as exploradoras respondam com uma "aceleração significativa" da completação de poços, disseram analistas da Bloomberg Intelligence liderados por William Foiles em um relatório de 3 de maio.

Após reduzir bilhões de dólares nos orçamentos de capital neste ano, essas empresas têm um acúmulo de milhares de poços parcialmente completados, mas que ainda não foram explorados. Perto dos US$ 55, a atividade poderia subir para centenas de completações por mês. Com os preços abaixo de US$ 50 esses poços serão colocados em uso a "um ritmo mais moderado", escreve Foiles.

As produtoras se movimentarão cuidadosamente após os acontecimentos do ano passado, disse Foiles. Algumas colocaram dinheiro na perfuração quando o petróleo subiu para mais de US$ 60, depois viram os preços caírem para menos de US$ 40 em agosto. "Muitas dessas empresas foram meio que enganadas no ano passado", disse ele na quinta-feira em entrevista por telefone. "Elas estão muito mais cautelosas agora".

Nem mesmo os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, que geralmente têm custos menores que as exploradoras dos EUA, se beneficiam tanto com a quebra da marca de US$ 50. A maioria precisa de preços muito mais elevados para equilibrar os orçamentos prejudicados pela queda dos preços desde 2014.

O West Texas Intermediate para entrega em julho chegou a US$ 50,21 nesta quinta-feira antes de se fixar em US$ 49,48 por barril na Bolsa Mercantil de Nova York. O brent para liquidação em julho fechou a US$ 49,59 na ICE Futures Europe, em Londres, após chegar mais cedo a US$ 50,51. O petróleo usado como referência global atingiu o nível mais baixo desde 2003 no primeiro trimestre e desde então subiu cerca de 80 por cento com os sinais de redução do excedente de oferta mundial.

O petróleo ainda não se fixou acima de US$ 50 neste ano, mas quando isto acontecer os mercados responderão -- pelo menos temporariamente, disse Wittner. "Poderá haver um recuo, mas se ele acontecer será apenas temporário, porque o reequilíbrio do segundo semestre está próximo".

Título em inglês: Oil's Brief $50 Breach Doesn't Mean Much Unless It Sticks Around

--Com a colaboração de Mark Shenk Para entrar em contato com o repórter: Alex Nussbaum em N York, anussbaum1@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto tmarotto1@bloomberg.net, Leonardo Lara

©2016 Bloomberg L.P.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos