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Traders olham além da libra para evitar turbulência da Brexit

Chiara Albanese e Stefania Spezzati

(Bloomberg) -- Este é um dos maiores dilemas enfrentados pelos gestores de moedas: como se proteger das consequências da saída do Reino Unido da União Europeia sem perder dinheiro caso o país vote por ficar.

Como a volatilidade da libra frente ao dólar é a mais alta em seis anos e as opções em seu par cambial mais negociado são as mais caras já registradas, os traders estão buscando outras soluções antes do referendo de 23 de junho. Para alguns investidores, como a Unigestion e a Aberdeen Asset Management, isso significa comprar opções em franco suíço e coroa sueca ou usar o euro como substituto da libra.

"Os riscos da Brexit estão subestimados", disse Luca Simoncelli, gestor de recursos em Londres da Unigestion, que administra US$ 19,5 bilhões. "Esse acontecimento seria similarmente prejudicial tanto para o euro quanto para a libra, e por isso compramos opções de venda no euro contra o franco suíço".

Para aproveitar um possível rali de alívio, a Unigestion também adquiriu opções de compra em libra contra a coroa sueca. As opções de venda se beneficiam com uma queda do euro frente à moeda suíça. Os investidores devem monitorar o franco para medir o risco de saída do Reino Unido da UE, disse David Bloom, chefe de estratégia cambial global do HSBC Holdings em Londres, em entrevista ao programa "On the Move" da Bloomberg TV, com Guy Johnson, na sexta-feira.

Termômetro de riscos

A libra foi um termômetro do sentimento durante a campanha do referendo. Ela atingiu o valor mais baixo em sete anos em fevereiro após o anúncio da votação e voltou a subir nas últimas semanas porque as pesquisas indicaram uma maior probabilidade de que a Grã-Bretanha permaneça na UE. Como a moeda continua reagindo até mesmo a pequenas oscilações da opinião pública e ainda faltam quatro semanas de uma campanha volátil, os investidores precisam se proteger contra os dois resultados possíveis.

Para James Athey, gestor de recursos da Aberdeen, que administra US$ 420,9 bilhões, o euro é o melhor substituto cambial para negociar o risco do referendo.

Para Athey, a moeda comum pode sofrer uma possível queda de 5 por cento a 15 por cento se o Reino Unido optar por sair da UE. Se os britânicos votarem pela permanência, a política monetária do Federal Reserve se tornará o maior motor para o euro, disse ele. A Aberdeen atualmente aposta que a moeda de 19 países vai se desvalorizar frente ao dólar.

"Não sentimos que a relação entre risco e recompensa seja atraente neste caso para jogadas com a libra em ambos os lados", disse Athey, de Londres. "As melhores oportunidades podem surgir depois da votação".

Queda interrompida

A libra era negociada a US$ 1,4649 às 11h35 desta sexta-feira, horário de Londres. A queda neste ano foi de 0,6 por cento após um declínio de 6,1 por cento em fevereiro.

Apesar da recuperação, os investidores estão preparados para a volatilidade em torno do referendo. A volatilidade implícita de um mês para a libra frente ao dólar fechou a 16,41 por cento na quinta-feira, a mais alta desde o resultado da eleição do Reino Unido em 2010 e acima dos indicadores de dois e três meses, um sinal de maior preocupação.

Título em inglês: Currency Traders Look Beyond the Pound to Combat Brexit Turmoil

Para entrar em contato com os repórteres: Chiara Albanese em Roma, calbanese10@bloomberg.net, Stefania Spezzati em Londres, sspezzati@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto tmarotto1@bloomberg.net, Patricia Xavier

©2016 Bloomberg L.P.

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