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FMI e analistas veem corte gradual de juros na Rússia

Andre Tartar e Anna Andrianova

(Bloomberg) -- Mesmo após quase um ano de juros inalterados, a cautela ainda é uma virtude entre os economistas que monitoram o próximo movimento do banco central russo.

Dos 25 economistas consultados pela Bloomberg, 23 concordaram com o conselho do Fundo Monetário Internacional de manter o ritmo de flexibilização gradual futura. Os dois restantes disseram concordar com a posição do CEO do VTB Group, o segundo maior banco da Rússia, favorável a um único corte "decisivo" de dois pontos percentuais. Os analistas estão divididos quanto à possibilidade de o banco central reduzir as taxas de juros na reunião do mês que vem, sendo que 13 preveem que não haverá mudança em relação ao patamar atual de 11 por cento e 11 projetam um corte, segundo a pesquisa.

"Se optar por movimentos bruscos em um ambiente sem ameaças mortais aparentes à estabilidade financeira ou inflação, como era o caso em dezembro de 2014, o banco prejudicará sua credibilidade", disse Armen Mirzoyan, economista da Moody's Analytics em Praga, por e-mail. "Para que o regime de metas de inflação seja eficiente, a credibilidade do banco central é, em si, o ativo mais importante".

O banco central tem evitado o zigue-zague na política monetária que foi a tônica de sua primeira resposta a uma crise cambial em 2014 e à recessão que veio na sequência. Devido à queda dos preços do petróleo, há um ano e meio, a presidente do banco central, Elvira Nabiullina, elevou a taxa básica de 10,5 por cento para 17 por cento no meio da noite em Moscou para estabilizar o rublo. Um mês depois, a autoridade monetária realizou uma das reversões mais abruptas feitas por um banco central desde 1990, reduzindo os juros em 15 por cento. Nenhum dos cinco cortes que vieram a seguir excedeu 150 pontos-base.

"Nossa estimativa mostra que realizar um corte brusco na taxa básica agora, como proposto por alguns, não levará a um crescimento econômico significativo, apenas provocará um salto da inflação", disse Nabiullina a parlamentares, na segunda-feira, segundo a agência de notícias Interfax. A declaração foi confirmada pela assessoria de imprensa do banco central.

Nova flexibilização

As peças agora estão se encaixando para que o ciclo de flexibilização seja retomado após uma pausa de julho para cá. O rublo se estabilizou com a recuperação dos preços do petróleo para perto de US$ 50 o barril e a inflação se mantém estável, no nível mais lento em quase dois anos. Embora o FMI tenha exortado cortes mais lentos porque continua havendo dúvidas quanto às perspectivas para o petróleo, a política fiscal e os salários, o CEO do VTB, Andrey Kostin, disse que o mercado precisa de um "sinal claro" na forma de um corte abrupto dos juros.

"A melhor coisa que o banco central pode fazer é continuar aumentando sua credibilidade com os mercados e se tornar bastante previsível, removendo a si mesmo como fonte de incertezas", disse Tom Levinson, analista sênior de câmbio e juros do Sberbank CIB em Moscou, que prevê um corte de 50 pontos-base em cada um dos dois próximos trimestres. "Parece improvável que os fatores externos se tranquilizem a curto prazo. Por esta razão, estamos cautelosos em relação à flexibilização realizada pelo Banco da Rússia".

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