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Aumento de dívidas de empresas dos EUA pode atrapalhar expansão

Rich Miller

(Bloomberg) -- Os consumidores foram o calcanhar de Aquiles da economia dos EUA antes da última recessão. Desta vez, talvez as empresas façam esse papel.

Alguns sinais alarmantes: aumento da dívida, lucros defasados e mais calotes. Embora seja improvável que as vulnerabilidades financeiras provoquem outra crise em breve, os economistas apontam para possíveis buracos na estrada para uma expansão que está se aproximando de seu sétimo aniversário.

"As empresas vêm aumentando suas dívidas, e suas dívidas vêm crescendo mais rapidamente que seus lucros", disse John Lonski, economista-chefe da Moody's Capital Markets Research Group em Nova York. "Antigamente, esse desequilíbrio costumava gerar problemas" na economia porque as empresas diminuíam os investimentos e contratações.

Um exemplo: a notícia, na semana passada, de que os pedidos de bens duráveis caíram pelo terceiro mês consecutivo em abril. O total com ajustes sazonais de US$ 62,4 bilhões foi o mais baixo em cinco anos, o que levou Neil Dutta, da Renaissance Macro Research, a classificar o investimento corporativo como "patético".

As semelhanças entre a farra de dívida dos consumidores que precedeu a recessão e a atual explosão de empréstimos tomados pelas empresas são impressionantes. Assim como as famílias, as corporações estão usando o dinheiro para objetivos de curto prazo em vez de se prepararem para o futuro. Elas estão baseando suas apostas em expectativas otimistas que podem não se concretizar.

1% corporativo

Embora as corporações como um todo possuam o recorde de US$ 1,84 trilhão em dinheiro e investimentos líquidos, esse total está extremamente concentrado em um pequeno número de empresas, principalmente no setor de tecnologia, de acordo com uma pesquisa realizada neste mês por Andrew Chang e David C. Tesher, analistas da S&P Global Ratings.

Exclua os US$ 945 bilhões que pertencem às 25 empresas mais ricas classificadas pela S&P, e o quadro não fica particularmente bonito para as corporações de fora do setor financeiro que formam os 99 por cento inferiores.

Por trás da deterioração da solvência: o aumento dos empréstimos corporativos. Estimuladas pelas taxas de juros mais baixas da história, as empresas aumentaram a dívida total em US$ 2,81 trilhões durante os últimos cinco anos, para o recorde de US$ 6,64 trilhões. Só em 2015, as obrigações deram um salto de US$ 850 bilhões, 50 vezes o aumento em dinheiro segundo o cálculo da S&P.

Em sua maioria, as empresas não estão injetando todo esse dinheiro em despesas de capital para aumentar a eficiência e a capacidade de suas operações. Em vez disso, grande parte foi usada para financiar a recompra de ações, aumentar os dividendos e realizar aquisições.

Lonski, da Moody's, disse que é cedo para prever que os EUA estão rumo à recessão porque o mercado de trabalho continua forte. Mas o ajuste nas empresas é "um fator de risco que vale a pena observar".

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