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Draghi precisa de aumento dos serviços para estimular inflação

Alessandro Speciale

(Bloomberg) -- Se Mario Draghi quiser atingir sua meta de inflação, um pequeno boom do preço do petróleo não bastará. O presidente do Banco Central Europeu precisa de um aumento dos preços dos serviços que, aparentemente, ainda deve demorar muito em chegar.

O raciocínio é o seguinte:

O BCE diz que o núcleo de inflação - que desconsidera componentes voláteis, como alimentos e energia - é um indicador de onde a inflação geral tende a parar. Isso significa que o banco deveria perseguir um núcleo do crescimento do preço para o consumidor de pouco menos de 2 por cento. No entanto, essa taxa não ficou nesse patamar desde o início de 2009. Na verdade, ela raramente sequer superou 1 por cento nos últimos três anos. E embora o crescimento abrupto dos preços do combustível tenha compensando a escassez até o final de 2014, eles não estão fazendo isso agora.

"Em um mundo onde as contribuições do preço da energia para a inflação geral estão estruturalmente mais baixas, e tudo o mais continua igual, é preciso estimular mais o núcleo da inflação", disse Marco Valli, economista da UniCredit em Milão. "A postura da política monetária precisa ser mais acomodatícia".

Números publicados nesta terça-feira mostraram que os preços para o consumidor na zona do euro não conseguiram crescer pelo quarto mês seguido em maio. O BCE se reunirá para revisar sua política monetária na quinta-feira em Viena, e Draghi dará uma entrevista coletiva.

É verdade que o petróleo Brent subiu mais de 75 por cento desde janeiro, o que significa que a inflação poderia aumentar no fim deste ano. No entanto, a menos que os preços do petróleo continuem com ganhos fortes, o que de qualquer modo seria um peso para o crescimento no bloco, que é importador de energia, o trabalho pesado precisa ser feito pelos dois elementos fundamentais do núcleo da inflação: bens e serviços. Ambos cresceram a um ritmo extremamente lento nos últimos seis anos.

É difícil ver um aumento dos preços vindo das fábricas. A inflação para os bens, excetuando-se a energia, nunca foi maior que 1,8 por cento nos 16 anos de existência do bloco de países, e a concorrência mundial de países como a China só intensificou. Então, o foco precisa ser os serviços. Como equivalem a cerca de dois terços da cesta do núcleo de inflação, um cálculo rápido sugere que eles precisam aumentar cerca de 3 por cento ao ano caso não haja nenhuma contribuição significativa da energia ou dos bens.

Se há um lugar onde isso pode acontecer, sem dúvida é a Alemanha, maior economia da região, onde o mais baixo nível de desemprego da história - e a energia barata - coloca dinheiro no bolso do consumidor. No entanto, a inflação dos serviços no país foi em média de apenas 1,1 por cento nos últimos 12 meses.

Há outro motivo para a melancolia. Os salários na zona do euro - que desempenham um papel importante na geração de inflação nos serviços - tiveram um aumento nominal de 1,4 por cento no primeiro trimestre. Foi o ritmo mais lento desde o início da moeda comum.

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