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Petróleo barato aumenta venda global de carro de maior consumo

Javier Blas

(Bloomberg) -- Quando os ministros da Opep se reunirem em Viena, é possível que notem mais SUVs nas ruas da capital austríaca do que em suas visitas anteriores.

No ano passado, pela primeira vez, foram vendidos mais SUVs do que qualquer outro tipo de veículo de passageiro na Europa, segundo a consultoria do setor automotivo JATO Dynamics. A tendência se manteve em 2016 e a demanda por SUVs como Hyundai Tucson e Renault Kadjar respondeu por um quarto das vendas nos maiores países europeus.

A Europa é um espelho do que está ocorrendo ao redor do mundo. Da China aos EUA, os motoristas estão comprando veículos maiores e as vendas dos híbridos com maior eficiência de combustível passam por dificuldades.

Para a Arábia Saudita, o Irã e outros integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, que se reunirão nesta quinta-feira, o nítido aumento das vendas de carros de alto consumo é uma boa notícia: significa uma demanda maior por gasolina e diesel nos próximos anos.

"A tendência de melhoria da eficiência de combustível dos últimos anos pode ser interrompida pelos baixos preços do petróleo", disse Christof Ruhl, chefe de pesquisa da Autoridade de Investimento de Abu Dhabi, o fundo soberano do emirado, e ex-economista-chefe da BP.

Veja o exemplo dos EUA, cenário da revolução do petróleo de xisto e maior consumidor de petróleo do mundo. O carro médio vendido em abril atingiu uma economia de combustível de 25,2 milhas por galão (10,7 quilômetros por litro), abaixo do pico de 25,8 estabelecido em agosto de 2014, pouco antes do colapso dos preços do petróleo, segundo dados do Instituto de Pesquisa em Transporte da Universidade de Michigan.

Pelas tendências atuais este ano marcará a primeira queda na média da economia de combustível dos EUA desde 2007, pelo menos, mostram os dados.

"A melhoria da economia de combustível está realmente se mantendo em baixa", disse Sam Ori, diretor-executivo do Instituto de Política Energética da Universidade de Chicago. "Os ganhos pararam completamente logo que os preços do petróleo começaram a cair".

Na China, segunda maior consumidora de petróleo do mundo, os motoristas também estão comprando veículos maiores mais do que nunca. Embora a gasolina e o diesel mais baratos ajudem, de acordo com os analistas são os salários mais altos -- e o desejo de impressionar parentes e amigos -- que impulsionam as compras.

Segundo dados oficiais, os veículos maiores, como caminhonetes e SUVs, responderam por quase 35 por cento do total de vendas de automóveis chineses de passageiros em abril, contra 10 por cento em 2010 e menos de 5 por cento há uma década.

"Os consumidores acham que esse período de oferta abundante de petróleo veio para ficar", disse Ruhl, da Autoridade de Investimento de Abu Dhabi.

O perverso de tudo isso é que o comportamento dos consumidores poderá fazer os preços do petróleo subirem mais cedo ou mais tarde, porque os veículos sedentos por combustível ajudam a aproximar a demanda da oferta. Para os ministros da Opep em Viena, ver veículos com tração nas quatro rodas nas ruas perfeitamente asfaltadas da capital austríaca é uma boa notícia.

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