Possível corte de nota da África do Sul reduz dívida corporativa

Xola Potelwa

(Bloomberg) -- Enquanto a África do Sul se prepara para o rebaixamento de sua nota de crédito, as empresas do país estão encontrando hostilidade no mercado de títulos.

As vendas de dívida corporativa caíram 15 por cento no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, para 20,8 bilhões de rands (US$ 1,31 bilhão), em comparação com um declínio de 10 por cento nos mercados emergentes, mostram dados compilados pela Bloomberg, porque a volatilidade e a ameaça de rebaixamento para grau especulativo estão dissuadindo os compradores. Os yields da dívida do governo sul-africano com vencimento em dez anos - a referência para a emissão corporativa - aumentaram 34 pontos-base neste trimestre, para 9,45 por cento, a segunda taxa mais alta depois da Turquia entre 23 países em desenvolvimento monitorados pelos índices da Bloomberg.

Yields mais altos e o "medo do desconhecido" enquanto a liquidez se esgota estão levando alguns emissores a evitar o mercado de títulos, de acordo com Zoya Sisulu, diretora de mercados de capitais de dívida do Standard Bank Group, o maior organizador de vendas de dívida da África. Em vez disso, as empresas estão optando por formas menos públicas de arrecadar fundos, como colocações privadas e empréstimos.

"Elas quase evitaram lançar transações públicas que poderiam fracassar", disse Sisulu. "Nós temos visto um aumento de preços muito significativo nas curvas" em comparação com as taxas cobradas sobre títulos vendidos no ano passado.

Nota

A S&P Global Ratings anunciará os resultados da revisão de sua nota de crédito para a África do Sul na sexta-feira. Doze dos 13 analistas consultados pela Bloomberg projetam que a S&P rebaixará a nota do país para grau especulativo - ou junk - por volta do fim deste ano. Quatro deles acham que a agência rebaixará a nota nesta semana.

No dia 19 de maio, o BC da África do Sul reduziu sua previsão de expansão econômica em 2016 para 0,6 por cento porque a queda dos preços das commodities e uma seca prejudicam a economia. A S&P menciona o crescimento econômico fraco como uma ameaça fundamental para a nota da África do Sul. O custo de proteger a dívida do país contra calote nos próximos cinco anos já é mais alto que o da Rússia e da Turquia, que têm notas de crédito mais baixas.

Um rebaixamento da nota da África do Sul provavelmente causaria um efeito dominó nas empresas estatais, cuja dívida é parcialmente garantida pelo governo. A Eskom Holdings, principal produtora de eletricidade, que no ano passado foi obrigada a racionar a oferta após anos de investimentos insuficientes, disse que está programando algumas fontes de financiamento alternativas aos mercados de capitais. A concessionária de energia elétrica, que também é o maior mutuário depois do governo, pretende construir uma grande usina movida a carvão, aprovada pelo governo em agosto de 2013, em parceria com empresas privadas.

"Por causa do ambiente econômico e da incerteza, as pessoas estão cautelosas", disse Peter Kent, que ajuda a administrar US$ 109 bilhões como gestor de recursos e um dos diretores de renda fixa da Investec Asset Management, na Cidade do Cabo. "Houve alguns leilões que não saíram tão bem quanto o emissor gostaria, então por que passar por isso se não for preciso?".

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