Baixa utilização do yuan afeta plano do PBOC de uso global

Bloomberg News

(Bloomberg) -- As iniciativas da China para aumentar a utilização do yuan no mundo estão sendo afetadas, com pressões de depreciação renovadas corroendo o maior pool da moeda fora da China e diminuindo sua participação nos pagamentos internacionais.

Os depósitos em yuans em Hong Kong, o maior centro para a moeda fora da China Continental, caíram pelo terceiro mês consecutivo em abril e atingiram o menor valor desde 2013, segundo dados oficiais publicados na terça-feira. Isso aconteceu justamente quando a Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunications disse que a participação do yuan nas transações globais caiu de um pico de 2,79 por cento no ano passado para 1,82 por cento em abril.

A diminuição do uso, estimulada pelo ressurgimento do dólar, está ameaçando os esforços do presidente do banco central, Zhou Xiaochuan, para promover o yuan em um momento em que a moeda se prepara para entrar na cesta de moedas de reserva do FMI em outubro. O Banco Popular da China (PBOC, na sigla em inglês) nomeou credores para clearing em yuans em vários países, entre eles a África do Sul e a Argentina, e abriu os mercados locais de títulos e moedas para bancos centrais estrangeiros. Além disso, na semana passada o país vendeu 3 bilhões de yuans (US$ 458 milhões) em títulos soberanos em Londres.

"A diminuição do uso do yuan destaca os ventos contrários para a internacionalização e eu acho que isso se deve à intensificação das expectativas de depreciação e ao crescimento da volatilidade da moeda", disse Ken Cheung, estrategista cambial do Mizuho Bank em Londres. "As autoridades vão manter a expectativa de depreciação do yuan sob controle, já que ela é fundamental para fomentar a internacionalização".

Sem pânico

O país vai procurar aumentar a conversibilidade do yuan de forma ordenada nos próximos cinco anos mudando a maneira de gerir a política monetária e abrindo o setor financeiro, segundo o plano para os próximos cinco anos do Partido Comunista. As autoridades econômicas estavam se preparando para anunciar um prazo até 2020 para desmontar os controles cambiais, segundo pessoas com conhecimento dos planos.

"Eu acredito que a internacionalização do yuan vai continuar no longo prazo porque a China continua comprometida com a abertura da sua conta de capital e quando a preocupação com uma depreciação se dissipar devemos ver o uso do yuan crescer novamente", disse Khoon Goh, estrategista sênior de renda fixa do Australia & New Zealand Banking Group. "Eu espero ver um aumento na alocação de reservas em moeda estrangeira dos bancos centrais para o yuan, após sua inclusão na cesta de moedas de reserva do FMI".

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