Emergentes aproveitam para vender títulos antes decisão do Fed

Lyubov Pronina

(Bloomberg) -- De repente, este se tornou um ano de grandes vendas de títulos nos mercados emergentes.

Em abril, a Argentina obteve US$ 65 bilhões em ofertas para sua emissão de US$ 16,5 bilhões, e agora o Oriente Médio está intensificando o ritmo. Abu Dhabi voltou aos mercados de capitais internacionais com uma colocação de US$ 5 bilhões, seguida de uma venda recorde de US$ 9 bilhões pelo Catar.

A Arábia Saudita pretende vender até US$ 15 bilhões em papéis em sua primeira oferta, disseram pessoas com conhecimento do assunto.

Os governos no Conselho de Cooperação do Golfo, composto por seis países, entre eles a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, estão recorrendo aos mercados estrangeiros porque a queda dos preços do petróleo abriu rombos em seus orçamentos.

Os emissores também estão correndo para capturar custos de crédito mais baixos antes de um possível aumento das taxas de juros do Federal Reserve. Depois do primeiro trimestre menos ativo desde 2010, as grandes transações impulsionaram as vendas de notas de países em desenvolvimento denominadas em dólares e euros para quase US$ 120 bilhões em abril e maio.

"A atual disparada das emissões certamente se deve à tentativa de se antecipar a um aumento provável nas taxas do Fed no terceiro trimestre", disse Mohammed Elmi, gestor de recursos de mercados emergentes da Federated Investors em Londres, que comprou papéis da Argentina e do Catar.

"Além disso, eles estão cautelosos com outros fatores que poderiam provocar uma desarticulação do mercado", como o referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, disse ele. A votação da Brexit está marcada para o dia 23 de junho.

No vermelho

A média de rendimentos para a dívida em dólares do Oriente Médio caiu mais de 60 pontos-base, ou 0,6 ponto percentual, para 4,8% desde que atingiu o pico deste ano em janeiro, segundo índices do JPMorgan.

Ao mesmo tempo, o preço do petróleo, que caiu para menos de metade desde meados de 2014, recuperou um pouco de terreno. A emissão é um sinal de que a maior região exportadora de petróleo do mundo deseja deixar de recorrer a seus fundos para tempos de privações para preencher os quase US$ 900 bilhões em déficits fiscais que, segundo estimativas do FMI, ela enfrentará até 2021.

O CCG contém quase um terço das reservas comprovadas de petróleo do mundo e os governos da região dependem das vendas de petróleo bruto para financiar o gasto público.

É possível que a Arábia Saudita registre um déficit orçamentário de US$ 87 bilhões neste ano, e o do Catar poderia chegar a US$ 13 bilhões, o primeiro déficit do país desde 2011, segundo dados do banco central compilados pela Bloomberg.

O retorno bem-sucedido da Argentina aos mercados globais de títulos neste ano após o histórico calote do país em 2001 ajudou a convencer outros países com "perfis soberanos complicados", como Omã e Arábia Saudita, a levarem grandes ofertas para o mercado, disse Sergey Dergachev, que ajuda a administrar US$ 13 bilhões em dívida de mercados emergentes como gestor sênior de recursos da Union Investment Privatfonds, com sede em Frankfurt.

"O volume de transações feitas nos últimos dois meses não tem precedente para os mercados emergentes", disse Angelo Rossetto, trader da GMSA Investments em Londres. "É uma corrida para imprimir antes que o Fed aumente as taxas".

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