Minério de ferro corre risco de perder todos os ganhos de 2016

Jasmine Ng

(Bloomberg) -- O minério de ferro corre o risco de perder todos os ganhos deste ano.

O minério com 62% de conteúdo caiu 0,5%, nesta quinta-feira, para US$ 48,18 a tonelada seca, depois de ter registrado em maio a maior queda mensal em cerca de cinco anos, de acordo com a Metal Bulletin. A queda deixou os preços, que superavam US$ 70 em abril, menos de US$ 5 acima do valor registrado no fechamento de 2015.

A matéria-prima oscilou neste ano porque sinais de recuperação da demanda na China desencadearam um rali especulativo que elevou os preços no período de três meses até abril. O aumento foi revertido depois de uma repressão regulatória e à medida que a oferta aumentava, elevando os volumes nos portos. Com a produção em expansão, há uma possibilidade de que 2016 seja mais um ano de perdas, de acordo com a Shenhua Futures.

"Parecia claro no início de 2016 que o minério de ferro iria enfrentar mais um ano desafiador, mas essa perspectiva ficou confusa por causa da alta surpreendente", disse Wu Zhili, analista da Shenhua. "A demanda continua fraca, e a oferta continua aumentando. Há uma boa chance de que os preços terminem o ano mais baixos."

Caso essa projeção se concretize, 2016 se tornaria o quarto ano consecutivo de preços mais baixos. O minério de ferro caiu no período de três anos até 2015 porque o aumento da oferta de minas de baixo custo na Austrália e no Brasil somou-se à desaceleração na China para prejudicar os preços. Eles atingiram o piso de US$ 38,30 em dezembro.

O Goldman Sachs Group alertou que o mercado mundial enfrenta uma abundância crescente, porque as mineradoras aumentarão a oferta de baixo custo e a produção de aço na China está desacelerando.

O banco projeta que os preços cairão para US$ 38 no último trimestre e terão uma média de US$ 46 no ano. Em 2016, os preços registravam uma média de aproximadamente US$ 52 até quarta-feira.

Aço

Os preços do aço, que subiram em abril, elevando as margens de lucro das usinas e estimulando a produção, recuaram desde então. Como as margens encolheram, a produção siderúrgica na China poderia cair no terceiro trimestre, disse a Singapore Exchange, maior câmara de compensações de swaps de minério de ferro, em um comentário mensal sobre o mercado recebido nesta quinta-feira em meio ao avanço dos futuros da bolsa.

O índice de gerentes de compras para a indústria siderúrgica da China em maio mostrou uma queda no indicador de produção e um aumento dos estoques dos bens terminados. A leitura geral foi de 50,9, em contraste com 57,3 em abril, sendo que 50 é a linha divisória entre expansão e contração. O país produz metade do aço do mundo.

"Não há dúvida de que o aumento da atividade na indústria siderúrgica desacelerou nas últimas semanas", disse Daniel Hynes, estrategista sênior de commodity do Australia & New Zealand Banking Group (ANZ) em Sidney. "No entanto, a atividade continua acima de 50, e acreditamos que a desaceleração sazonal vai ser menos severa neste ano."

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