Curiosa recompra de títulos na Rússia pode oferecer vantagem

Vladimir Kuznetsov e Ksenia Galouchko

(Bloomberg) -- Para algumas empresas russas, faz muito sentido recomprar dívidas com prejuízo neste momento.

Duas siderúrgicas e uma empresa de navegação anunciaram nesta semana, com uma diferença de 48 horas, planos para vender dívidas com o objetivo de recomprar US$ 3,34 bilhões em títulos com vencimentos entre 2017 e 2019.

Embora a recompra de notas antigas no momento em que são negociadas acima de seu valor de face pareça um contrassenso, a venda de novos títulos com os rendimentos mais baixos em três anos pode gerar economia para as empresas a longo prazo.

Por trás da estratégia está o desejo de algumas empresas de diminuir o impacto dos pagamentos de títulos iminentes antes que um possível aumento da taxa de juros pelos EUA, neste mês, torne essas dívidas ainda mais pesadas.

As empresas russas enfrentam um total de US$ 65 bilhões em dívidas com vencimento em 2017 e 2018, legado da explosão de crédito anterior à imposição de sanções à Rússia pelos EUA e pela Europa devido à crise na Crimeia. Se as penalidades forem prolongadas após a data final de 31 de julho, o acesso ao mercado de eurobonds poderá continuar esporádico.

"O esquema pode parecer estranho à primeira vista", disse Fedor Bizikov, gerente de recursos da GHP Group em Moscou, que estuda oferecer títulos nas recompras. "Mas olhando os dois lados da equação, todos ganham. Os investidores ganham agora por garantirem os lucros. E os tomadores de empréstimos ganham amanhã fixando os juros atuais, mais baixos".

Em busca de rendimentos, os investidores geraram uma onda de meganegócios neste trimestre, da Argentina ao Catar, depois que o rendimento médio pago pelos tomadores de empréstimos dos mercados emergentes despencou para 5,34 por cento, abaixo do maior valor em quase cinco anos, de 6,5 por cento, registrado em 20 de janeiro, segundo dados do índice da agência de notícias Bloomberg.

A Novolipetsk Steel disse que ofereceria "a todos" US$ 708 milhões em títulos para 2018 a 103,625% do valor de face e US$ 471 milhões em títulos para 2019 a 104,5%.

A operadora marítima Sovcomflot, estatal que deverá ser privatizada no final deste ano, pretende recomprar US$ 800 milhões em títulos para 2017 a 104,125% do valor de face, o que representa um prêmio de 2 pontos percentuais. A Evraz também busca recomprar quatro emissões que vencem em 2017 e 2018.

"Até o momento, os níveis de ofertas de dívidas têm sido muito generosos para os investidores dos mercados emergentes e isso torna um acordo bastante atraente aos olhos dos investidores", disse Sergey Dergachev, gestor de recursos sênior que ajuda a administrar cerca de US$ 13 bilhões em ativos na Union Investment Privatfonds, em Frankfurt, e possui parte da dívida que está sendo oferecida. "Trata-se de uma boa oportunidade para conseguir uma exposição barata e líquida ao crédito russo".

--Com a colaboração de Yuliya Fedorinova Lyubov Pronina e Stephen Kirkland 

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