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Brasil produz mais etanol mesmo com alta do preço do açúcar

Marvin G. Perez, Fabiana Batista e Megan Durisin

(Bloomberg) -- A recuperação dos preços do petróleo deste ano fez uma vítima improvável: a sobremesa.

Para entender, basta olhar o exemplo da processadora de cana-de-açúcar Usina Batatais, de São Paulo.

Devido às margens atraentes do combustível, a empresa está usando a safra maior de cana para produzir mais etanol e deixando seu volume de produção de açúcar bruto inalterado. Mesmo após o aumento recente dos preços do açúcar, "já não há mais tempo, nem cana" para fazer uma troca, disse o presidente da Batatais, Bernardo Biagi.

Esta é uma história que se repete pelo Brasil, o maior produtor e exportador mundial de açúcar. Isto poderia piorar o déficit global de oferta após o clima seco ter prejudicado as safras da Índia e da Tailândia, a segunda maior exportadora.

Os preços estão sendo negociados próximos do nível mais alto em quase dois anos e os hedge funds estão fazendo uma aposta recorde na continuidade da alta.

"As margens do etanol foram boas e isto levou mais açúcar em direção à indústria do etanol", disse Arlan Suderman, economista-chefe para commodities da INTL FCStone Financial em Kansas City, Missouri, nos EUA. "Se você analisa a produção global de açúcar, a região Centro-Sul do Brasil é, realmente, o único ponto positivo da produção mundial no momento. Portanto, o mundo está olhando para ela".

Alta do preço

O açúcar bruto subiu 23% neste ano, para US$ 0,1875 a libra, na ICE Futures U.S., em Nova York. Na sexta-feira, os preços chegaram a US$ 0,1879, nível mais alto desde 23 de junho de 2014.

Os hedge funds e outros grandes especuladores aumentaram suas posições compradas na commodity em 4,9%, para 222.686 futuros e opções dos EUA, na semana que terminou em 31 de maio, mostraram dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA três dias depois. É o nível mais alto desde o início dos dados, em 2006.

Analistas e investidores também estão esperando mais aumentos de preço. Os futuros poderiam chegar a US$ 0,199 até o fim do ano, segundo a média de 15 estimativas de uma pesquisa da Bloomberg News. Mais da metade dos participantes previram que o açúcar tocará a casa dos US$ 0,20, que seria o preço mais elevado desde outubro de 2013.

"Os problemas climáticos e o déficit manterão o mercado com tendência de alta", disse Donald Selkin, estrategista-chefe de mercado da National Securities em Nova York, que ajuda a gerenciar cerca de US$ 3 bilhões. Ele prevê que os futuros de julho atingirão 20 centavos de dólar em algumas semanas.

--Com a colaboração de Pratik Parija

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