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Inflação 'inaceitável' pode encerrar pausa nos juros da Rússia

Anna Andrianova

(Bloomberg) -- O nível de inflação que a presidente do Banco da Rússia, Elvira Nabiullina, classificou como "inaceitável" parece melhorar a cada dia.

Tanto que, ao não acelerar em maio, a inflação poderia forçar o banco central a flexibilizar sua política pela primeira vez em quase um ano quando avaliar as taxas de juros, nesta semana.

O aumento dos preços permaneceu inalterado pelo terceiro mês seguido em relação ao ano anterior, em 7,3%, nível mais baixo desde 2014, disse o Serviço Federal de Estatísticas nesta segunda-feira. O resultado igualou a mediana de 20 estimativas de uma pesquisa da agência de notícias Bloomberg.

"A inflação continua perdendo força com a queda das expectativas de inflação e a maior fragilidade econômica", disseram os economistas Ivan Tchakarov e Ekaterina Vlasova, do Citigroup, em relatório, antes da divulgação dos dados. "A evolução positiva da inflação e, na nossa visão, os juros reais muito altos são argumentos fortes em prol do início de um ciclo de corte nos juros".

Embora haja muitos riscos e os bancos centrais se concentrem na construção de sua credibilidade após optarem pelas metas de inflação, a possível aceleração do aumento dos preços projetada pelo banco central não se materializou até o momento.

O alívio, combinado com a estabilização do petróleo e com a recuperação do rublo neste ano, pode pesar na balança a favor de um corte nos juros, mesmo que a inflação continue sendo quase duas vezes maior que a meta de 4%.

Os contratos a prazo para fixação de taxa (FRA, na sigla em inglês) sinalizaram quedas de 50 pontos-base nos custos dos empréstimos durante os próximos três meses, contra 14 pontos-base de cortes observados antes da reunião do banco central em abril. O rublo tem o segundo melhor desempenho deste ano entre seus pares dos mercados emergentes, com um ganho de mais de 12 por cento em relação ao dólar.

Doze dos 25 economistas participantes de uma pesquisa da Bloomberg preveem que a taxa básica será reduzida na sexta-feira de 11 por cento para 10,5 por cento e o restante projeta que não haverá alteração.

Com a melhora da perspectiva para uma economia atingida pela recessão, modificar a forma de pensar do banco central não será fácil. A instituição alerta para ameaças como as elevadas expectativas de inflação, os aumentos dos salários nominais e a incerteza duradoura em relação ao orçamento.

"Temos que levar todos os riscos em consideração de uma forma que se encaixe em uma política conservadora, com tudo sendo equivalente", disse Igor Dmitriev, chefe do departamento de política monetária do Banco da Rússia, em entrevista.

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