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Parte mais díficil de programa do BCE pode ser comprar títulos

Alastair Marsh

(Bloomberg) -- Um escritório árido em que as roupas dos funcionários e o mobiliário, em cores monocromáticas, combinam: bem-vindo à operação de compra de títulos do Banco Central Europeu.

Em um vídeo dos bastidores do centro de controle que é a peça central do programa de flexibilização quantitativa de mais de 1,74 trilhão de euros de Mario Draghi, os funcionários discutem o funcionamento interno da operação.

Entre as entrevistas com economistas e executivos de operações seniores, o comentário mais interessante foi o de uma investidora não identificada que lembrou os desafios que o BCE enfrentará ao adicionar títulos corporativos às suas listas de compras a partir de quarta-feira.

"É bastante fácil realizar a operação. É só descobrir tudo antes", disse ela.

No caso dos títulos corporativos, o vídeo revela duas coisas que precisam ser "resolvidas" -- definir quais títulos poderiam ser comprados e depois comprá-los, de fato. O BCE resolveu o primeiro ponto em sua reunião de política monetária, na semana passada. A segunda parte será mais difícil.

As aquisições podem ser realizadas tanto no mercado primário, no qual são vendidos os novos títulos, quanto nos mercados secundários, no qual são negociados títulos mais antigos. Mas instituições como HSBC e Bank of America calculam que o BCE se concentrará nos títulos emitidos recentemente devido aos problemas lamentados há tempos em relação à facilidade de negociação no mercado secundário.

E se o BCE se concentrar no mercado de novas emissões, o melhor seria agir rapidamente, segundo os analistas do BofA. O ritmo dos novos contratos vendidos no mercado está diminuindo em relação à velocidade vertiginosa alcançada desde que Draghi anunciou o programa de compras para o setor corporativo, ou CSPP, na sigla em inglês.

"Nós achamos que o BCE não tinha tempo a perder ao adiar o início da CSPP até o final de junho. Após três meses excepcionais de emissões de grau de investimento, o fluxo primário está diminuindo na Europa", escreveram os analistas do BofA, liderados por Barnaby Martin.

"Afinal, existe um limite para a quantidade de refinanciamento de dívidas que as empresas precisam fazer em um ano".

Mas é claro que o refinanciamento de dívida pode não ser o único alvo das aquisições de títulos.

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