Pior mercado de títulos da Europa não parece estar melhorando

Joao Lima

(Bloomberg) -- Quando Portugal pensou que as coisas não poderiam parecer piores em seu mercado de títulos, elas pioraram.

Após uma valorização dos títulos da dívida grega nas últimas semanas, o país agora é a única parte da zona do euro que está causando prejuízos aos investidores neste ano.

Atualmente a diferença entre os custos de empréstimos de 10 anos dos dois países caiu ao menor nível desde que o Banco Central Europeu revelou seu plano de aquisição de títulos, em janeiro de 2015. O que torna este fato mais notável é que a Grécia não se qualifica para o programa de flexibilização quantitativa, que tem sustentado os mercados. Portugal, sim.

Embora a Grécia tenha ganho mais uma fatia de ajuda no mês passado e a promessa de nova análise de um possível alívio da dívida no futuro, Portugal está caminhando para trás, pelo menos aos olhos de alguns investidores.

O primeiro-ministro António Costa elevou os salários do setor público e está reduzindo a semana de trabalho, revertendo algumas medidas introduzidas durante o programa de resgate que Portugal deixou em 2014. Assim como a Grécia, Portugal ainda tem empréstimos inadimplentes em seus bancos para resolver.

"As mudanças nas reformas realizadas pelo governo anterior levaram os investidores a terem uma percepção de risco maior", disse Diogo Teixeira, CEO da Optimize Investment Partners, empresa com sede em Lisboa que gerencia cerca de 120 milhões de euros (US$ 134 milhões).

"Não se prevê melhora a curto prazo. Se aparecerem mais fatores de risco não é a flexibilização quantitativa do BCE que interromperá o aumento dos rendimentos de Portugal."

Redução da diferença

O rendimento dos títulos gregos de 10 anos caiu para menos de 7% pela primeira vez em seis meses, em 25 de maio, após o acordo com os credores. Atualmente o papel rende 7,3%, cerca de 4 pontos percentuais a mais que os títulos emitidos por Portugal, cujo rendimento de 10 anos está em 3,2%, contra 2,4% no início de janeiro de 2015.

A dívida portuguesa é classificada como especulativa por Fitch Ratings, Moody's.

Investors Service e Standard & Poor's. O governo projeta que a dívida cairá pelo segundo ano seguido, para 124,8% do PIB (Produto Interno Bruto), em 2016. A Comissão Europeia projeta crescimento econômico de 1,5% para Portugal neste ano, contra 2,6% para a Espanha e 4,9% para a Irlanda, que também passou por um pacote de resgate internacional.

"A economia de Portugal continua crescendo muito mais moderadamente que a de outros países periféricos da zona do euro", disse Kathrin Muehlbronner, vice-presidente sênior da Moody's, em comunicado em 24 de maio. "Por isso, o crescimento não oferecerá muito apoio às planejadas consolidação fiscal e redução da muito elevada relação de dívida pública."

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