Bolsas

Câmbio

Ações britânicas têm bom desempenho antes de referendo

Aleksandra Gjorgievska

(Bloomberg) -- As ações britânicas estão registrando seu melhor desempenho em oito anos, mesmo com as pesquisas apontando uma possibilidade cada vez maior de saída da União Europeia.

A desvalorização da libra e a alta das mineradoras ajudaram o FTSE All-Share Index a eliminar seu prejuízo anual, fazendo-o superar o Stoxx Europe 600 Index pela maior margem desde 2008. As ações britânicas foram as que mais subiram entre seus pares regionais na segunda-feira, depois que as pesquisas de opinião mostraram a liderança dos eleitores que querem a saída da UE e colocaram a libra no menor nível em três semanas. Os papéis subiam pelo terceiro dia seguido nesta terça-feira.

Embora o presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, tenha dito que a saída poderia provocar uma recessão, as ações britânicas permanecem calmas no momento em que os investidores se tornam mais céticos em relação às pesquisas, que se mostraram equivocadas na previsão dos resultados do referendo escocês em 2014 e da eleição geral do ano passado. Mesmo com o desempenho superior, a avaliação do FTSE All-Share Index, de 15,6 vezes os lucros estimados, continua próxima de seu nível mais baixo no ano em relação às ações globais.

"As preocupações com a Brexit estão bem documentadas, as pesquisas de opinião certamente foram muito erráticas no passado, a perspectiva está bem e as avaliações não são excessivas", disse Patrick Spencer, vice-presidente de ações da Robert W. Baird & Co. em Londres. Sua empresa administra US$ 151 bilhões. "O mercado nos diz que mesmo com o temor de Brexit, talvez as preocupações não sejam tão significativas como dizem os comentaristas".

Próximo do referendo de 23 de junho, Spencer prefere produtoras de commodities porque prevê que essas empresas se beneficiarão com o dólar desvalorizado e com a melhora da perspectiva para o crescimento chinês. Guillermo Hernández Sampere, chefe de trading da MPPM EK, citou a libra desvalorizada como um motivo para comprar as ações do país.

"Eu compraria ações britânicas devido à libra desvalorizada, o que seria positivo para as exportações britânicas, e à meta de inflação do Banco da Inglaterra, que pode ser atingida mais cedo se o Reino Unido sair", disse ele, de Eppstein, Alemanha. A MPPM investe apenas em empresas denominadas em euros e tem 220 milhões de euros (US$ 250 milhões) sob gestão.

O JPMorgan Chase se tornou otimista em relação às ações britânicas em fevereiro, após permanecer underweight para as ações por três anos. O banco citou as avaliações baixas dos papéis e o dividend yield atraente -- de 4,2 por cento para o FTSE All-Share Index, contra cerca de 1,3 por cento para os gilts de 10 anos. Se o país deixar a UE, a libra desvalorizada e as medidas do Banco da Inglaterra poderiam amortecer qualquer impacto negativo inicial, disse o JPMorgan na ocasião. O HSBC Holdings elevou o mercado de underweight para neutro em abril.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos