Bolsas

Câmbio

Angústia política da Europa atinge títulos da Itália

Anooja Debnath e Chiara Albanese

(Bloomberg) -- Primeiro Portugal, depois a Espanha e o Reino Unido. Agora a política também está influenciando os títulos da Itália.

Depois que alguns investidores venderam dívidas espanholas porque os partidos estavam tendo dificuldades para formar um governo, os sinais de que o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, está começando a perder apoio, sólido até o momento, elevou os rendimentos da Itália. O prêmio que a Espanha paga sobre seus títulos em comparação com os da Itália é o menor desde a inconclusiva eleição do país ibérico, em dezembro.

Em Roma, Virginia Raggi, 37, do MoVimento 5 Estrelas, está a caminho de ganhar a eleição para a prefeitura da capital italiana no fim deste mês, naquele que poderia ser um grande avanço para o grupo antiausteridade e antiestablishment.

Um referendo marcado para outubro, no qual Renzi consultará os eleitores italianos sobre medidas para reformular o Senado e reforçar o poder do governo, provavelmente também deixará os investidores nervosos. A Itália é o quarto maior mercado de títulos do mundo, com US$ 2,1 trilhões em títulos em circulação.

"A eleição italiana soa como um alarme para os investidores, que veem a ascensão de partidos antieuro na Europa como um risco", disse Vincenzo Longo, estrategista da IG Markets em Milão. Ele disse que o referendo "será o verdadeiro teste do governo".

Risco de impasse

Os títulos soberanos italianos deram retorno de 1,9% neste ano, enquanto os investidores em dívidas soberanas espanholas fizeram 2,7 por cento, segundo os índices Bloomberg World Bond. Ambos os rendimentos são menores que o de 4,5% dos bunds alemães.

Os rendimentos dos títulos de referência de 10 anos da Itália subiram na segunda-feira após serem rolados e transformados em um novo título com vencimento em junho de 2026 e se recuperaram no dia seguinte. A dívida espanhola agora rende quatro pontos-base a mais que a da Itália, contra 18 pontos no início do ano. A diferença entre a Itália e a Alemanha, enquanto isso, cresceu.

Renzi disse que renunciará se o referendo for contrário a ele. Isso poderia acarretar novas eleições e "um período de impasse político", segundo o analista Nicola Nobile, da Oxford Economics em Milão.

A ausência de uma maioria clara "pode ser negativa para a estabilidade política e dar início a um período prolongado de inação política, o que possivelmente atrairia algumas ações de crédito negativas das agências de classificação", disse ele.

O mercado de títulos da Itália ficou sob pressão no início deste ano devido ao temor em relação à saúde dos bancos do país.

O risco agora é que o país siga um padrão mais parecido com o da Espanha, onde a segunda eleição nacional em pouco mais de seis meses pode acabar sendo inconclusiva novamente. A eleição ocorrerá em 26 de junho, três dias após o referendo do Reino Unido sobre a adesão à União Europeia.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos