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BCE inicia aquisições de títulos corporativos na Europa

Katie Linsell, Alastair Marsh e Sally Bakewell

(Bloomberg) -- O Banco Central Europeu entrou em territórios novos na tentativa de estimular a debilitada economia da zona do euro ao mergulhar no mercado de papéis corporativos nesta quarta-feira e comprar a dívida de algumas das maiores empresas do continente.

As aquisições incluíram títulos emitidos pela Anheuser-Busch InBev, a maior cervejaria do mundo; Telefónica, o antigo monopólio das telecomunicações da Espanha; Siemens, a maior empresa de engenharia da Europa; Assicurazioni Generali, a maior seguradora da Itália; Telecom Italia; pela fabricante francesa de veículos Renault e pelas concessionárias de energia elétrica Engie e RWE, segundo pessoas com conhecimento do assunto, que não estão autorizadas a falar sobre o assunto e solicitaram o anonimato.

Os investidores estão procurando um sinal que indique se eles tiveram razão em acumular dívida corporativa com grau de investimento pela promessa de aquisições feita pelo presidente do BCE, Mario Draghi.

A média de rendimentos para as notas em euros caiu para 0,98% na terça-feira, a taxa mais baixa em mais de um ano, segundo dados de índices do Bank of America Merrill Lynch. A intervenção do BCE no mercado de títulos de governos nos últimos 12 meses fez com que os rendimentos atingissem valores mínimos recordes.

O BCE adicionará as notas corporativas com grau de investimento a seu programa de aquisições mensais de 80 bilhões de euros, que já inclui títulos de dívida com lastro em crédito imobiliário, conhecidos no mercado europeu como "covered bonds", valores com lastro em ativos e dívida soberana, na tentativa de estimular o crescimento. O banco central comprou mais de 800 bilhões de euros em papéis de governos desde março de 2015.

"Há muito em jogo nisso quanto à credibilidade do BCE", disse Victoria Whitehead, gerente sênior de carteira em Paris da BNP Paribas Investment Partners, que administra cerca de 521 bilhões de euros. "Percebe-se que se eles não conseguirem comprar pelo menos 5 bilhões de euros em papéis por mês, o programa será considerado malsucedido".

Expansão de programa

Em antecipação a uma disparada da demanda, empresas venderam mais de 50 bilhões de euros em papéis na moeda comum desde maio, o segundo mês mais ativo já registrado, segundo dados compilados pela agência de notícias Bloomberg.

O BCE pode escolher entre 1.049 títulos por um total de 620 bilhões de euros, segundo dados compilados pela Bloomberg. A CreditSights calcula o tamanho do universo em cerca de 628 bilhões de euros e Morgan Stanley estima que seja de cerca de 675 bilhões de euros.

A compra de mais de 5 bilhões de euros em títulos de empresas por mês poderia impulsionar o mercado, enquanto os investidores poderiam se decepcionar se o BCE comprar menos de 3 bilhões de euros, escreveram analistas da CreditSights em um relatório publicado no dia 5 de junho. O Commerzbank e o Morgan Stanley não projetam que as aquisições mensais superem 5 bilhões de euros.

"Muito depende do tamanho das aquisições, sobre as quais o BCE tem sido impreciso de propósito", disse Juan Esteban Valencia, estrategista de crédito do Société Générale em Paris. "Pode ser que eles ainda estejam determinando a abordagem".

--Com a colaboração de Paul Cohen Deborah L Hyde Abigail Moses Rodney Jefferson e Tom Beardsworth 

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