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Análise: Dimon tem 8 bilhões de motivos contra a 'Brexit'

Mark Gilbert

(Bloomberg) -- Os defensores da permanência do Reino Unido na União Europeia escalaram Jamie Dimon na semana passada para alertar sobre os perigos associados à saída do bloco.

Alguns questionaram se o comandante do banco americano JPMorgan era a pessoa certa para conquistar os corações e mentes dos britânicos. Seria melhor se questionassem a razão para o banqueiro ter ido a Bournemouth para se colocar ao lado do secretário do Tesouro britânico, George Osborne.

A resposta não surpreende: dinheiro.

O lucro anual que o JPMorgan gera no Reino Unido é de aproximadamente US$ 8 bilhões, comparado a ínfimos US$ 92 milhões na Alemanha e US$ 42 milhões na França, de acordo com dados compilados pela agência de classificação de risco Standard & Poor's. O Reino Unido é responsável por parcela considerável da receita anual do banco americano, de cerca de US$ 92 bilhões.

No total, o Reino Unido contribui aproximadamente US$ 27 bilhões ao lucro anual dos cinco maiores bancos de investimento americanos. Levando em conta o percentual da receita total desses bancos na UE, o Reino Unido é imensamente mais importante do que qualquer outro país europeu.

As transações que geram essas receitas não vão simplesmente desaparecer se o Reino Unido sair da UE. Haverá migração de Londres para outros grandes centros financeiros, como Paris, Luxemburgo ou Frankfurt.

Mas as instalações do JPMorgan na cidade costeira de Bournemouth e seus 4.000 funcionários que processam essas transações deixarão de fazer sentido da noite para o dia se os eurofóbicos vencerem. Tentar convencer esses funcionários a fazer as malas e mudar com a família para a Alemanha ou a França será custoso, demorado e causará interrupções nos fluxos de trabalho.

Não só os bancos americanos questionarão a manutenção de operações em Londres que ficarão fora da UE. O CEO do Deutsche Bank, John Cryan, declarou no mês passado que seria "contraintuitivo" negociar valores mobiliários denominados em euros na capital britânica e que os negócios iriam "gravitar de volta para a zona do euro".

Até mesmo o britânico HSBC Holdings afirmou no início do ano que 1.000 de seus 5.000 postos de trabalho na divisão de global banking e mercados provavelmente seriam transferidos para Paris.

Esses deslocamentos prejudicariam diretamente as finanças britânicas. Profissionais do setor bancário contribuem mais de 7% dos impostos sobre salários no Reino Unido, de acordo com dados compilados pela Bloomberg Intelligence, enquanto seus empregadores pagam quase 6 por cento dos impostos corporativos.

As pesquisas de opinião estão divididas quanto ao resultado do referendo e os dois lados dão exibições lamentáveis de enganação, difusão de informações equivocadas e incentivo a temores infundados.

Assim, é fácil (e correto) duvidar de Osborne quando ele afirma que o Reino Unido pode perder até 400 mil empregos no setor de serviços em dois anos se os britânicos votarem pela saída da UE. Ele está chutando. Ninguém sabe como ficará o panorama econômico pós-Brexit após dois anos de negociações dos termos desse divórcio.

O que está claro é que haverá menos incentivo para as instituições estrangeiras manterem profissionais de banco de investimento trabalhando em Londres. Especialmente se a UE, persuadida por Paris, se recusar a conceder às firmas no Reino Unido as autorizações necessárias para oferecer serviços financeiros na zona do euro.

Portanto, quando Dimon diz a seus 16 mil funcionários britânicos que um quarto desses empregos estará em jogo se o voto for pela saída da UE, é certo que muita gente precisará empacotar todos os seus pertences e sair de Londres para não mais voltar.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do comitê editorial da Bloomberg LP e seus funcionários.

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