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Opinião: Brexit pode prejudicar mais famílias pobres

Victoria Bateman

(Bloomberg) -- Como o Reino Unido fará uma votação sobre sua participação na União Europeia em menos de um mês, economistas, políticos e especialistas estão debatendo continuamente como a possível saída da UE afetaria a economia do país. No entanto, para muitas famílias, os tipos de valores que estão em discussão - que podem chegar aos bilhões de libras - talvez pareçam abstratos e remotos para suas vidas cotidianas. Um relatório publicado na quinta-feira muda tudo isso.

Em uma pesquisa realizada para o Instituto Nacional de Pesquisa Econômica e Social, órgão independente do Reino Unido, Angus Armstrong, Katerina Lisenkova e Simon Lloyd fizeram diversos cálculos para ver como a Brexit afetaria o pagamento de benefícios sociais dos quais as famílias britânicas mais pobres dependem. Os resultados foram assustadores, porque sugerem que muitas famílias da classe trabalhadora ficariam em condições muito piores.

Para começar a pesquisa, os autores quantificaram o impacto de sair da UE para a posição fiscal do Reino Unido, considerando os efeitos sobre a receita nacional e a migração, e levando em conta as economias que seriam geradas pelas contribuições líquidas feitas atualmente ao orçamento da UE.

Usando o efeito sobre a receita nacional conforme estimativas de um grande número de pesquisas, os autores concluíram que se o país sair da UE, por volta de 2020 o déficit fiscal ficaria entre 0,78 por cento e 6,14 por cento do PIB acima do que estaria sem a Brexit. Esse valor subiria para de 1,03 por cento a 7,12 por cento do PIB a mais em torno de 2030. Usando a mediana do impacto sobre o PIB, a pesquisa concluiu que o déficit fiscal seria de uns 2,3 por cento do PIB em 2020 e de 2,77 por cento em 2030. Isso equivale a pouco mais de 40 por cento do orçamento de benefícios sociais. Essa quantia está longe de ser pequena e exigiria cortes no orçamento.

Para modelar o impacto desses cortes, os autores começaram calculando a média anual do crédito tributário e dos benefícios recebidos por diversas famílias representativas da classe de baixa renda. Eles concluíram que os benefícios sociais compreendem cerca de 29 por cento a 73 por cento da receita dessas famílias, o que oferece uma referência para julgar os cortes tributários necessários.

O impacto seria considerável. Se o déficit fiscal previsto fosse corrigido exclusivamente através de cortes nos benefícios sociais, como resultado as famílias de baixa renda receberiam entre 1.861 libras e 5.542 libras a menos por ano (em números equivalentes aos de 2014) por volta de 2020, dependendo de suas circunstâncias pessoais. Mesmo que o orçamento dos benefícios sociais arcasse com apenas um quarto do ajuste fiscal necessário, ainda assim ele equivaleria a uma perda de uns 1.146 ao ano para um pai ou uma mãe solteiro trabalhador com um filho.

E o efeito adverso sobre as famílias de baixa renda não pararia aí. O estudo não incluiu o efeito sobre todas as famílias, que, de acordo com projeções, vai derivar da redução da atividade comercial e da perda da pensão, sejam essas famílias ricas ou pobres. Somando tudo, estima-se que o impacto de sair da União Europeia sobre as famílias de baixa renda será grave - particularmente se o governo quiser equilibrar suas contas. E, se isso não influenciar a votação do referendo, nada vai.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial, da Bloomberg LP ou de seus proprietários.

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