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Com compra de notas junk BCE mostra que fará o que for preciso

Katie Linsell, Alastair Marsh e Sally Bakewell

(Bloomberg) -- Desde um corte surpresa dos juros em sua primeira reunião como presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi mostrou uma propensão a forçar os limites.

A entrada do banco no mercado de títulos corporativos na quarta-feira não foi uma exceção: ele comprou títulos de grau especulativo. O segundo dia também não decepcionou, com compras de notas da atribulada fabricante alemã de carros Volkswagen.

Ao considerar em sua busca tudo o que o programa permite, Draghi garantiu que o primeiro dia de compras de títulos corporativos causasse um impacto. Embora o BCE tivesse dito que compraria títulos de empresas com uma única nota de grau de investimento, os investidores imaginavam que o banco central começaria pelos títulos mais bem classificados da região.

"O começo do programa foi agressivo", disse Jeroen van den Broek, chefe de pesquisa e estratégia de dívida do ING Groep em Amsterdã. "A natureza abrangente das compras mostra que Draghi não está para brincadeira."

As compras do primeiro dia incluíram notas da Telecom Italia, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, que não têm autorização para falar e pediram para não serem identificadas. A maior empresa de telefonia da Itália tem notas de grau especulativo tanto da Moody's Investors Service quanto da S&P Global Ratings. Os títulos da empresa só se qualificam para o programa de compras do banco central porque a Fitch Ratings lhes confere uma nota de crédito de grau de investimento.

Além da Volkswagen, as compras da também incluíram títulos da fabricante de pneus Continental e da empresa francesa de telefonia celular Orange, de acordo com outra pessoa, que pediu anonimato por não estar autorizada a comentar o assunto. Essas empresas só têm classificações de grau de investimento.

Um porta-voz do BCE preferiu não comentar as compras realizadas no programa de títulos corporativos.

Draghi tem um histórico de fazer o inesperado. Sua primeira decisão depois de assumir o cargo em 2011 foi um corte surpresa da taxa de juros. Um comentário espontâneo durante um discurso em julho de 2012 de que ele faria tudo o que fosse preciso para salvar o euro, seguido pela promessa de comprar a dívida de países em dificuldades, talvez tenha evitado a separação do bloco monetário. Sob sua supervisão, o BCE manteve o fluxo de fundos para os bancos gregos mesmo quando o governo tendeu para o calote e foi o primeiro grande banco central a reduzir os juros para menos de zero.

Os títulos da Telecom Italia estão no Euro High Yield Index, do Bank of America Merrill Lynch, e swaps de crédito que asseguram as notas contra perdas fazem parte do Markit iTraxx Crossover Index vinculado a empresas com notas de grau especulativo, em sua maioria.

Moody's e S&P classificam a Telecom Italia um nível abaixo do grau de investimento, em Ba1 e no equivalente BB+, respectivamente, desde 2013. A Fitch colocou a empresa no grau de investimento mais baixo e só modificou sua perspectiva nesse patamar, de negativa para estável, em novembro.

"Draghi sabe que o BCE precisava causar um grande impacto no primeiro dia de seu programa de compras corporativas para manter a credibilidade e a confiança em sua disposição para agir", disse Regina Borromeo, gestora financeira em Londres da Brandywine Global Investment Management, que administra US$ 70 bilhões em ativos.

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