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Impala Platinum tem lista de desafios para novo presidente

Kevin Crowley

(Bloomberg) -- Procura-se: executivo do setor de mineração que possa ganhar dinheiro mesmo com a queda dos preços e da produção, que consiga deter custos estratosféricos e que esteja disposto a receber o pagamento em uma das moedas mais desvalorizadas do mundo.

Essa é a possível descrição de trabalho para quem quer que substitua Terence Goodlace no cargo de CEO da Impala Platinum Holdings, empresa com sede em Johannesburgo que é a segunda maior produtora de platina do mundo. Goodlace, 57, disse no mês passado que pretende pedir demissão em breve, acabando assim com um mandato de quatro anos que viu uma das mais confiáveis galinhas dos ovos de ouro da África do Sul definhar por causa da queda de preço da platina, de greves e de acidentes fatais.

A África do Sul abriga cerca de três quartos das reservas de platina do mundo e é uma importante fonte de commodities, como ouro e diamantes. Mas extraí-las é difícil e caro. Algumas das minas mais profundas do mundo foram construídas usando mão de obra barata, composta em sua maioria por negros trabalhando em condições perigosas, e o setor demorou a se mecanizar, o que possibilitaria remuneração de mundo desenvolvido e evitaria mais acidentes fatais. A temperatura nas profundezas do planeta pode chegar a 60 ºC, o suficiente para fritar um ovo.

Além de tudo isso, o país foi governado exclusivamente por brancos até 1994, e esse histórico cria desafios únicos para os executivos. O próximo CEO da Impala, assim como o restante do setor minerador, enfrentará demandas do governo para acabar com os resquícios do apartheid por meio da expansão de benefícios sociais e aumento da propriedade minoritária, iniciativas que talvez sejam incompatíveis com os interesses dos investidores.

Ambiente demandante

Embora a segurança tenha melhorado significativamente nos últimos anos, a mineração continua sendo um trabalho mortal. Só neste ano, oito trabalhadores morreram nas minas da Impala. Em 17 de maio, um dia antes de Goodlace anunciar seu pedido de demissão, uma área subterrânea desmoronou. Dois homens morreram, e o corpo de um deles ficou desaparecido durante mais de duas semanas. Cada morte representa perda de produção enquanto inspetores do governo examinam o lugar.

Johan Theron, porta-voz da Impala, não quis disponibilizar Goodlace para comentários e acrescentou que uma entrevista não seria apropriada no momento devido à morte recente de trabalhadores.

As condições de trabalho duras e a baixa remuneração geram relações trabalhistas voláteis. Houve uma greve de cinco meses em 2014, que interrompeu as operações e reduziu a produção. A Impala deve iniciar novas negociações salariais nas próximas semanas.

A produção da Impala caiu e os custos subiram enquanto a empresa construía três novos poços necessários para ter acesso a mais de metade de suas reservas. Goodlace demitiu 1.600 trabalhadores e captou 4 bilhões de rands dos acionistas. A empresa emprega cerca de 50.000 funcionários.

"O ambiente extremamente demandante em que a mineração se transformou significa que qualquer expectativa de que um CEO permaneça durante dez anos no cargo é equivocada", disse Bernard Swanepoel, ex-diretor da Harmony Gold Mining que é um diretor não-executivo da Impala. "O modelo de CEO super-herói está obsoleto".

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