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Investidores apostam que petróleo chegará a mais de US$ 100

Javier Blas

(Bloomberg) -- Investidores em petróleo estão comprando contratos que só compensarão se o barril subir para mais de US$ 100 nos próximos quatro anos - um sinal claro de que há quem acredite que a crise atual está semeando o próximo boom.

As transações de opções, que, de acordo com os corretores, têm as características das negociações realizadas por hedge funds, parecem se basear na crença de que os preços baixos atuais vão gerar um aperto da oferta porque as empresas de petróleo estão cortando investimentos de bilhões de dólares no desenvolvimento de campos. A Agência Internacional de Energia projeta que a oferta de fora da Opep sofrerá neste ano o maior declínio em mais de duas décadas.

"O mercado enfrentará uma crise de oferta nos próximos 24 meses", disse Francisco Blanch, diretor de pesquisa sobre commodities do Bank of America Merrill Lynch em Nova York. "Alguns hedge funds estão apostando que os preços do petróleo precisarão aumentar acentuadamente para voltar a reduzir a demanda - é por isso que eles estão adquirindo call 'out the money'".

Durante o mês passado, os investidores adquiriam opções de compra - dando o direito de compra a um determinado preço e momento - para o fim de 2018, 2019 e 2020 a preços de exercício de US$ 80, US$ 100 e US$ 110 por barril, de acordo com dados da Bolsa Mercantil de Nova York e da Depository Trust & Clearing Corp dos EUA.

Mesmo antes da onda mais recente, alguns investidores já tinham construído posições superotimistas. O maior número de contratos em circulação - ou contratos em aberto - tanto em contratos de opções otimistas quanto pessimistas para dezembro de 2018 é de opções a US$ 125 por barril. Para dezembro de 2020, é de opções a US$ 150.

No início deste mês, um investidor comprou o equivalente a mais de 4 milhões de barris em opções de compra a US$ 110 e US$ 80 por barril para 2019 e 2020 em diversas transações. Além disso, uma opção do equivalente a outros 800.000 barris a US$ 60 cada também mudou de mãos. As transações são públicas por causa das novas regulamentações introduzidas nos EUA pela Lei Dodd-Frank. As divulgações não revelam o comprador final.

Os fundos que estão realizando essas transações não esperam necessariamente que os preços do barril pulem para a faixa de US$ 100 a US$ 150, porque o valor de suas opções de compra aumentará mesmo que os preços subam muito menos. Esse tipo de opções que os especuladores estão comprando costuma ser visto como bilhetes de loteria porque oferecem uma possibilidade remota de retornos muito grandes.

Essas transações de opções sugerem que o sentimento está começando a se afastar da preocupação com a abundância da oferta e passando à preocupação com a escassez à medida que a demanda começa a ultrapassar a produção - o tradicional ciclo de ascensão e queda das commodities.

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