Aumento do preço anima produtor de xisto e desanima investidor

Mark Shenk

(Bloomberg) -- O mercado de petróleo chegou a um sinal amarelo.

O avanço de mais de 90 por cento do petróleo bruto em relação ao valor mais baixo em 12 anos, registrado no início deste ano, fez com que os produtores de xisto começassem a voltar às sondas de perfuração, o que ameaça desacelerar ganhos adicionais.

"A faixa de US$ 50 a US$ 60 por barril é o ponto ideal", disse Mark Watkins, gestor regional de investimento em Park City, Utah, da The Private Client Group, do U.S. Bank, que administra US$ 128 bilhões em ativos. "Você começa a ter produtores de volta a US$ 50, mas muitos deles entram a US$ 60".

Os gestores de recursos mantiveram cautela na semana que terminou em 7 de junho, apostando mais forte em uma queda dos preços do que em ganhos adicionais, de acordo com dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities. O West Texas Intermediate subiu 2,6 por cento, para US$ 50,36 o barril, na Bolsa Mercantil de Nova York durante a semana do relatório e caía US$ 0,44 para US$ 48,63, às 13h56 desta segunda-feira em Nova York.

Os preços subiram o bastante para que a Continental Resources despachasse equipes aos poços inacabados na região da formação de Bakken, disse o CEO Harold Hamm no dia 9 de junho. Esses poços ficaram incompletos porque a queda dos preços obrigou as empresas a interromper projetos a fim de conservar fluxos de caixa cada vez menores. A Helmerich & Payne, maior empreiteira de perfuração de poços dos EUA, e a Independence Contract Drilling disseram na semana passada que estão recebendo mais consultas de exploradoras de petróleo.

"Todos estão perguntando qual será o preço quando os poços dos EUA voltarem", disse Paul Sankey, analista do setor de energia da Wolfe Research, em 10 de junho na Bloomberg Radio. "De US$ 55 a US$ 60 voltaríamos ao crescimento nos EUA".

O número de sondas de petróleo triplicou nos EUA na semana passada depois de ter aumentado nove vezes nos sete dias anteriores, o primeiro ganho consecutivo desde agosto, mostram dados da Baker Hughes. A produção de petróleo bruto dos EUA continua muito abaixo do pico registrado no ano passado, e as exploradoras interromperam o funcionamento de mais de 1.000 sondas petroleiras desde o começo do ano passado.

Analistas, incluindo a Agência Internacional de Energia e o Goldman Sachs, concordam em que a abundância de petróleo está começando a diminuir porque a política da Organização dos Países Produtores de Petróleo de manter a produção expulsa do mercado os rivais que têm custos mais altos.

O rali do petróleo está criando as condições para seu próprio fracasso, de acordo com Watkins e Sankey. Quando as sondas voltarem às regiões produtoras de xisto, os preços vão cair.

"Esse é o bull market mais odiado da história", disse Sankey. "Todo mundo acha que ele vai acabar".

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