Bolsas

Câmbio

Escassez de mão de obra nos EUA é um dilema para o BC dos EUA

Rich Miller e Steve Matthews

(Bloomberg) -- George Corona, um executivo da Kelly Services, começou a perceber a mudança há cerca de seis meses. A empresa de recursos humanos de US$ 5,5 bilhões estava tendo dificuldades para conseguir funcionários para preencher vagas para iniciantes nos depósitos e call centers administrados pelos seus clientes.

"Está ficando cada vez mais difícil atrair pessoas para trabalhar nesses empregos de qualificações mais baixas, a menos que você aumente os salários", disse Corona, diretor operacional da Kelly, com sede em Troy, Michigan, nos EUA.

Sete anos após o início da expansão econômica, os EUA estão mostrando alguns sinais de que faltam pessoas que estejam procurando emprego e que possuam qualificação para preencher as vagas existentes.

A escassez, que ficou patente há algum tempo no caso de funcionários altamente qualificados, como desenvolvedores de software, está começando a atingir funcionários com talentos menos específicos à medida que o desemprego diminui.

"Agora estamos perto de eliminar a inatividade que pesou no mercado de trabalho desde a recessão", disse a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, em discurso no dia 6 de junho em Filadélfia, nos EUA.

Com uma taxa de 4,7% em maio, próxima da mais baixa em nove anos, a taxa de desemprego está quase no nível que, segundo o calculado por várias autoridades do Fed, correspondia ao pleno emprego quando publicaram as últimas estimativas econômicas em março.

Yellen e seus colegas, que começarão outra reunião de política monetária nesta terça-feira, estão frente a um dilema. A desaceleração recente no crescimento do emprego --as folhas de pagamento aumentam 116 mil por mês desde março, na comparação com a média de 229 mil no ano passado-- é principalmente o resultado de uma diminuição da demanda de mão de obra ou de uma redução da oferta?

Riscos

No primeiro caso, esse é um argumento para que o Fed seja ainda mais cauteloso com os aumentos dos juros. No segundo caso, as autoridades correm o risco de acabar superaquecendo a economia se demorarem muito a ajustar o crédito.

Agora parece que é a vez dos menos qualificados tirarem proveito da oferta insuficiente de mão de obra. Na última pesquisa do Fed sobre a economia, publicada no dia 1º de junho, a instituição disse que contatos empresariais nas suas regiões de Atlanta e Richmond estavam informando que estava "se tornando mais difícil preencher" vagas de qualificação baixa.

"Eu estou no negócio da administração de restaurantes desde 1987 em Atlanta e nunca vi o panorama tão ajustado assim, especialmente no trabalho por hora", disse Robby Kukler, sócio do Fifth Group Restaurants em Atlanta, que emprega 800 pessoas em uma empresa de catering e oito restaurantes, dentre eles o South City Kitchen.

"Estamos observando uma desaceleração", disse Richard Wahlquist, presidente da American Staffing Association em Alexandria, Virgínia. Ele apontou em particular para a fraqueza nos setores de manufatura, petróleo e gás.

--Com a colaboração de Tim Jones e Alison Vekshin

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos