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Investidor que previu alta de emergentes agora decide recuar

Maria Levitov

(Bloomberg) -- Luca Paolini, da Pictet Asset Management, um dos poucos analistas que previram corretamente a alta das ações dos mercados emergentes neste ano, está recuando devido a uma série de riscos, como a possibilidade de que o Reino Unido saia da UE e a desaceleração do crescimento global.

O estrategista-chefe da Pictet Asset Management em Londres, o único dos 12 investidores e analistas globais consultados pela Bloomberg em dezembro com uma posição overweight para as ações dos mercados emergentes, reduziu sua recomendação para neutra no fim de maio.

"Considerando todos os riscos -- Brexit, Fed, China --, queremos nos assegurar de que a fraqueza do dólar, a recuperação do crescimento global e o Fed muito dovish vão se confirmar nos próximos meses", disse Paolini, cuja empresa administra 108 bilhões de libras (US$ 153 bilhões) em ativos. "Muitos dos principais catalisadores da alta já foram considerados e o que pode acontecer a partir de agora é algo mais imprevisível".

Em dezembro, Paolini era o único otimista que estava adquirindo ações dos mercados emergentes em um período em que a maioria dos gerentes evitava ativos de maior risco porque o colapso das commodities coincidiu com o primeiro aumento da taxa de juros pelos EUA em uma década. O sentimento mudou depois que os preços do petróleo se recuperaram após terem atingido o menor valor em 12 anos em janeiro, o que desencadeou uma alta de até 24 por cento das ações dos países em desenvolvimento.

Agora, os investidores estão perdendo o apetite por ativos de maior risco à medida que se intensifica a especulação de que o Reino Unido decidirá renunciar à sua participação na União Europeia em um referendo que será realizado na semana que vem e os traders aguardam a decisão sobre as taxas de juros pelo Federal Reserve na quarta-feira.

O MSCI Emerging Markets Index praticamente eliminou os ganhos deste ano. O indicador caía 0,7 por cento, para 804,23, às 14 horas em Londres, reduzindo o avanço de 2016 a 1,3 por cento.

Paolini disse que precisa ver sinais claros de melhora nas despesas de capital globais e no consumo privado chinês e surpresas positivas nos fundamentos antes de voltar a recomendar a compra de mais ações dos países em desenvolvimento.

Os ativos dos países em desenvolvimento ainda têm avaliações relativamente atraentes e taxas de crescimento mais rápidas em comparação com os dos mercados desenvolvidos, disse Paolini. As ações e os títulos dos mercados emergentes poderão ter um desempenho superior ao de seus pares ao longo de cinco anos, disse ele.

"Não devemos desistir dos mercados emergentes", disse ele

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