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MSCI prestes a apostar grande na China, pior bolsa do mundo

Richard Frost

(Bloomberg) -- Investidores globais que atuam acompanhando índices estão prestes a descobrir se serão forçados a comprar papéis no mercado acionário de pior desempenho no mundo.

A MSCI anuncia na manhã de quarta-feira no horário de Hong Kong se ações domésticas da China farão parte de suas medidas de referência, em uma decisão que pode desencadear fluxos iniciais de até US$ 30 bilhões, de acordo com cálculos do HSBC.

A inclusão daria aos investidores maior acesso a empresas na segunda maior economia do mundo, porém o índice Shanghai Composite perdeu 45% nos últimos 12 meses, sendo 20 por cento só neste ano.

A entidade compiladora de índices vem estudando a inclusão de ações negociadas no mercado interno chinês desde 2013. A aprovação foi postergada duas vezes e uma das preocupações citadas foi a acessibilidade àquele mercado.

Outras questões levantadas foram as cotas para investidores estrangeiros, a necessidade de melhorias em termos de liquidez e esclarecimentos sobre regras de propriedade das ações. As autoridades chinesas tomaram providências em relação às questões colocadas pela MSCI. No entanto, o tombo de 3,2% no Shanghai Composite na segunda-feira sugere que não há muita confiança de que essas providências foram suficientes.

Há exatamente um ano, os investidores chineses estavam bem mais empolgados - e alavancados. O índice era negociado no maior nível em sete anos na véspera de decisão da MSCI, com volume de negócios e dívidas de margem em níveis recordes.

Agora o mercado está assim: a perda do Shanghai Composite no último ano é a maior entre os 93 índices acionários acompanhados pela Bloomberg, o índice Hang Seng China Enterprises de ações chinesas negociadas em Hong Kong é o de segundo pior desempenho, seguido pela bolsa da Ucrânia. O índice MSCI All-Country World recuou 7,7% no período.

O índice da bolsa de Xangai avançou 0,3% na terça-feira.

O volume de negócios no mercado doméstico chinês caiu junto com as ações. A média em 30 dias do valor negociado diminuiu para 154 bilhões de yuans (US$ 23 bilhões) neste mês, ou 84% a menos do que o auge do ano passado.

A volatilidade se intensificou na segunda-feira, com queda das ações nos negócios realizados após o fechamento do pregão. No entanto, a oscilação de preços segue contida. Até o índice Topix da bolsa japonesa tem apresentado movimentos diários mais extremos.

Diferentemente do ocorrido no ano passado, quando as compras alavancadas atingiam um nível máximo de 2,3 trilhões de yuans na época da decisão da MSCI, as dívidas de margem agora estão próximas dos menores patamares desde 2014.

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