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Pedro Parente na Petrobras é boa notícia para usinas de etanol

Fabiana Batista

(Bloomberg) -- Pedro Parente, o novo presidente da Petrobras, poderá ganhar alguns fãs na indústria do etanol.

Parente, que assumiu a estatal neste mês, deixou claro que decisões sobre preço de gasolina não sofrerão interferência do governo, o que deverá elevar preços e fazer com que o etanol, feito a partir da cana-de-açúcar, seja a opção mais atrativa para os motoristas.

Ainda que o aumento do custo da gasolina provavelmente traga pressão inflacionária, produtoras de etanol como a Bunge, a Cargill e a chinesa Cofco poderão se beneficiar. Normalmente, os motoristas escolhem o etanol quando este sai por menos de 70% do preço da gasolina, porque o biocombustível rende cerca de 30% menos energia por litro.

As usinas de açúcar do Brasil estão recebendo uma colheita de cana maior, por isso haverá bastante matéria-prima disponível para a produção de combustível extra.

Parente, engenheiro de 63 anos que anteriormente chefiou a unidade brasileira da Bunge e foi presidente do conselho da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), disse em 1º de junho que as decisões sobre preços dos combustíveis agora serão tomadas de acordo com os interesses da Petrobras, rejeitando-se qualquer interferência política.

A empresa reiterou essa postura nesta segunda-feira, em comentários enviados à Bloomberg News. A decisão foi tomada após o presidente prometer limpar a empresa, que foi "vitimizada" por um grupo de executivos corruptos que buscavam enriquecimento pessoal e poder, disse ele.

Crítico declarado

Na Bunge, Parente criticava a interferência do governo nos mercados de combustíveis. Em um evento público realizado em São Paulo em setembro de 2012, ele disse ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega que os limites aos preços dos combustíveis vinham prejudicando a indústria do etanol e limitando os investimentos, publicaram jornais locais.

As recentes promessas de Parente abrem espaço para o aumento do preço dos combustíveis no Brasil. A Petrobras importa gasolina porque não produz o suficiente para atender a demanda da maior economia da América Latina.

A empresa tem tido prejuízo na venda de gasolina no mercado doméstico após o recente aumento dos preços internacionais. O preço da gasolina vendida pela Petrobras está atualmente 8% abaixo do custo de importação, disse William Hernandes, analista da firma de consultoria FG Agro, por telefone.

"É cedo para dizer, mas isso nos dá mais confiança de que os preços da gasolina podem subir se essas perdas continuarem", disse Luís Roberto Pogetti, presidente da exportadora de açúcar e etanol Copersucar, em entrevista por telefone, do Rio de Janeiro, onde participou da cerimônia de posse de Parente.

O aumento do preço da gasolina em setembro de 2015 e a rejeição pelo conselho de uma proposta para cortar os preços dos combustíveis sinalizaram que a interferência política na Petrobras pode ter diminuído nos últimos meses, disse Pogetti.

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