Tormenta do aço chega aos EUA com nova queda de preços na China

Thomas Biesheuvel e Sonja Elmquist

(Bloomberg) -- Os EUA podem estar enfrentando mais tormentas causadas pelo aço chinês barato.

O motivo é que os preços estão subindo nos EUA e caindo na China, o que torna atraente para construtoras, fabricantes de geladeiras e outros usuários americanos a importação do aço do outro lado do mundo -- em vez da compra da produção local.

Os preços de referência nos EUA subiram 73% neste ano devido à melhora da demanda e o governo impôs penalidades extras que visam a evitar a prática de dumping das produtoras da China e de outros países.

A expansão imobiliária e os novos estímulos também ajudaram a reanimar os preços chineses neste ano, mas a recente restrição à especulação com commodities e a nova queda do minério de ferro, ingrediente básico da fabricação do aço, os derrubou novamente.

"Os gráficos de preço do aço são muito assustadores", disse Seth Rosenfeld, analista siderúrgico do Jefferies International em Londres. "A grande dúvida é a sustentabilidade desses preços muito altos nos EUA, considerando o recuo observado nos preços chineses".

A queda dos preços da China, que responde por metade da oferta de aço do mundo, é uma boa notícia para os consumidores, mas ruim para siderúrgicas como ArcelorMittal e U.S. Steel Corp., que enfrentaram dificuldades para competir com o que chamam de carregamentos injustos. As exportações chinesas, que subiram 20 por cento, para um recorde de 112 milhões de toneladas em 2015, avançam a uma taxa similar até agora no ano.

O impacto foi abrangente. A indiana Tata Steel está tentando vender sua deficitária divisão britânica e a ArcelorMittal, a maior produtora, com usinas em todo o mundo, reportou quatro prejuízos anuais seguidos.

Embora existam muitos tipos de aço, um dos preços praticados nos EUA, o da bobina laminada a quente, está cerca de US$ 307 mais caro por tonelada do que o de um produto similar da China, maior diferença registrada desde 2011, mostram dados da Metal Bulletin. Isso significa que é mais barato adquirir o produto de algumas empresas chinesas -- mesmo depois de incluídas as tarifas de frete e de comércio exterior -- do que comprar das produtoras dos EUA.

Embora os EUA tenham aplicado tarifas para uma parcela do aço chinês há mais de uma década, o país recomendou penalidades maiores para um leque maior de produtos nos últimos 12 meses. Agora, as produtoras chinesas poderão enfrentar tarifas antidumping de mais de 200%.

A decisão ajuda a proteger a indústria siderúrgica dos EUA, mas a ameaça da oferta chinesa mais barata freará a alta recente, disse Rosenfeld.

"Os preços dos EUA estão no pico ou perto dele", disse ele.

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