Rendimento acima de 10% pode atrair investidor para eurobond de Gana

Paul Wallace e Moses Mozart Dzawu

(Bloomberg) -- Com um dos rendimentos mais elevados da África, Gana poderá encontrar muitos compradores em busca de rendimento em uma iminente rodada de vendas de eurobonds.

O segundo maior produtor de cacau do mundo planeja captar até US$ 1 bilhão depois que o Fundo Monetário Internacional endossou seus esforços para consolidar a dívida e estabilizar a volátil moeda do país.

O sucesso da venda depende da capacidade das autoridades governamentais de convencer os potenciais compradores de que os retornos de dois dígitos são uma compensação adequada para os temores em relação à queda da receita do petróleo e aos anos de gastos excessivos em um momento em que a crise da dívida de Moçambique está deixando alguns investidores cautelosos em relação às emissões africanas.

"Nós achamos que é uma boa opção", disse Stephen Bailey-Smith, estrategista da dinamarquesa Global Evolution Fonds, que mantém dívidas de Gana em dólares e na moeda local entre US$ 3 bilhões de ativos de mercados de fronteira. "Nós provavelmente teríamos apetite se eles emitissem a um yield acima de 10 por cento. Muitas pessoas no mercado pensariam que esses títulos oferecem um bom valor".

Embora os rendimentos sobre US$ 1 bilhão de eurobonds de Gana com vencimento em agosto de 2023 tenham caído 4,59 pontos percentuais em relação a uma alta recorde registrada em janeiro, com seus 11,33% eles ainda são os mais elevados entre 18 países da África subsaariana após Moçambique e Zâmbia e representam mais de duas vezes a média das dívidas soberanas, mostram índices da Bloomberg.

A Rússia, a Polônia e a Romênia recorreram aos mercados internacionais nas últimas semanas para tirar vantagem dos baixos custos dos empréstimos na Europa e a Hungria e a Arábia Saudita estão analisando possíveis vendas.

Gana, que terá eleições presidenciais e parlamentares em novembro, usará os recursos de uma nova venda de eurobonds para ajudar a reduzir seu déficit orçamentário de 2016. O FMI disse no mês passado que o déficit poderia chegar a 4,8% do produto interno bruto, menos que a projeção do governo, de 5,3% do PIB.

O restante será usado para refinanciar títulos em dólares com vencimento em outubro de 2017 com um balanço de US$ 531 milhões em circulação, disse o governo. O déficit chegou a um máximo de 10% do PIB pelo terceiro ano em 2014 e encolheu para 6,7% em 2015.

"Será preciso ver mais progresso na estabilização da dívida e do déficit fiscal para que eles se aproximem da média", disse Mark Bohlund, analista da Bloomberg Intelligence, em resposta por e-mail a perguntas. "As autoridades precisam manter o curso fiscal atual após as eleições para que haja uma reavaliação significativa".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos