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Emirados Árabes Unidos se preparam para fusões setor bancário

Stefania Bianchi e Archana Narayanan

(Bloomberg) -- A possível fusão entre os dois maiores bancos de Abu Dhabi pode ser apenas o começo da consolidação do setor.

É o que dizem analistas do EFG-Hermes Holding e do Emirates NBD. Segundo eles, os Emirados Árabes Unidos precisam de mais fusões porque há muitos bancos para atender uma população relativamente pequena, de 9 milhões de habitantes, e porque as perspectivas de crescimento são limitadas. Cerca de 50 bancos locais e internacionais enfrentam a queda dos investimentos do governo, a desaceleração das economias e a queda da qualidade dos ativos após o colapso do petróleo, principal produto de exportação da região.

Naquela que seria a primeira grande fusão bancária do país em quase uma década, o Banco Nacional de Abu Dhabi (NBAD, na sigla em inglês) e o First Gulf Bank disseram no domingo que estão negociando uma possível transação. Executivos seniores dos dois bancos estão analisando os aspectos comerciais, estruturais e jurídicos de uma possível combinação, segundo um comunicado. Os bancos confirmaram uma reportagem da Bloomberg News, de 16 de junho, que informou que eles estavam negociando.

"Essa fusão poderia abrir caminho para uma maior consolidação no setor -- Banco Comercial de Abu Dhabi, Union National Bank e Banco Islâmico de Abu Dhabi", disse o analista Shabbir Malik, do EFG-Hermes, em nota no domingo. "O setor bancário dos EAU está muito cheio, a penetração do crédito é alta, de cerca de 100 por cento do produto interno bruto, e a perspectiva de crescimento do crédito e macro é branda".

União

Em nota a investidores na segunda-feira, a Arqaam Capital também disse que o Banco Comercial de Abu Dhabi e o Union National Bank poderiam se unir no futuro, considerando que ambos são controlados pelo Conselho de Investimento de Abu Dhabi.

A combinação do NBAD com o FGB marcaria a primeira grande fusão bancária do país desde que o Banco Nacional de Dubai e o Emirates Bank International se combinaram para criar o Emirates NBD em 2007. O CEO do banco de Dubai, Shayne Nelson, defendeu uma maior consolidação, dizendo que muitos bancos estão atendendo uma população relativamente pequena.

A liquidez bancária no Conselho de Cooperação do Golfo, que é formado por seis países e também inclui a Arábia Saudita, está diminuindo porque a queda do petróleo freia o crescimento dos depósitos e leva os governos a aumentarem os empréstimos. Os governos do conselho poderão acumular um déficit orçamentário combinado de cerca de US$ 140 bilhões neste ano se os preços do petróleo continuarem perto dos US$ 45, segundo estimativas do Emirates NBD.

"A consolidação seria positiva para os bancos dos EAU sob uma perspectiva de geração de retornos", disse o analista Waleed Mohsin, do Goldman Sachs. "Isto vale especialmente se considerada a natureza fragmentada do mercado e o ambiente macro atualmente desafiador".

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