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Análise: Não acredite nos testes de estresse do BC dos EUA

Mark Whitehouse

(Bloomberg) -- Nesta semana, o Federal Reserve pretende anunciar os resultados dos testes de estresse que visam a garantir que os maiores bancos dos EUA poderiam suportar uma grande crise. Este é o sexto ano desse exercício, e vale a pena indagar se os bancos realmente estão mais bem preparados.

A resposta, de acordo com um indicador alternativo do risco sistêmico: nem tanto.

Apesar de todos os esforços louváveis do Fed para conferir credibilidade aos testes de estresse, esse exercício continua sem ter muita relação com o que de fato acontece em uma crise.

Por exemplo, ele pressupõe que os bancos conseguiriam sobreviver com uma quantidade muito pequena de capital acionário. Além disso, ele analisa principalmente como cada instituição se sai isoladamente e não se detém o suficiente em como a dificuldade em alguns bancos pode afetar os outros. Por isso, ter aprovado os testes não significa que um banco esteja preparado para o pior.

Um grupo de economistas da Universidade de Nova York (NYU, na sigla em inglês) adotou uma abordagem diferente. Em vez de tentarem analisar os incontáveis ativos dos bancos e simular uma crise financeira com toda sua complexidade, esses economistas construíram um modelo mais simples.

A partir da relação entre os preços das ações dos bancos e o mercado como um todo, o modelo estima quanto os bancos perderiam em uma crise similar à de 2008 --e quanto capital acionário adicional eles teriam que levantar para evitar a inadimplência.

O resultado não é tranquilizador. Até 10 de junho, o modelo da NYU estimou que os seis maiores bancos dos EUA enfrentariam uma escassez de capital de mais de US$ 350 bilhões se o mercado acionário sofresse uma queda de 40%.

É melhor que a escassez de US$ 430 bilhões estimada há seis anos, mas pior que a de US$ 213 bilhões estimada no ano passado. O aumento acentuado durante os últimos 12 meses provavelmente surgiu dos temores com a queda de preço do petróleo e com o vacilante crescimento mundial, que derrubaram as ações dos bancos e elevaram sua volatilidade.

É claro que nenhum indicador de riscos é perfeito. Mesmo assim, essa evidência sugere que os testes de estresse do Fed ainda têm um longo caminho pela frente.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial, da Bloomberg LP ou de seus proprietários.

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