BCE vai saber se bancos estão interessados em mais dinheiro

Alessandro Speciale e Andre Tartar

(Bloomberg) -- O Banco Central Europeu está prestes a descobrir o grau de interesse real por sua proposta de pagar aos bancos para conceder empréstimos.

A partir de amanhã, bancos da zona do euro podem fazer lances por um empréstimo de quatro anos do BCE a uma taxa de juros que começa em zero e pode ficar negativa.

A tomada líquida de recursos, após as instituições pagarem o que pegaram emprestado sob um programa anterior menos generoso, deve ficar em 50 bilhões de euros (US$ 57 bilhões), de acordo com uma pesquisa da agência de notícias Bloomberg com economistas. O resultado dessa operação, a primeira de quatro, será publicado na sexta-feira.

A grandiosidade do programa de empréstimo direcionado, conhecido como TLTRO-II, se encaixa nos esforços do BCE para convencer os bancos a concederem mais crédito a empresas e consumidores, incentivando o crescimento econômico e a inflação. Mas a região já está inundada de liquidez e a perspectiva global é incerta. Assim, o impacto pode ser apenas incremental e não espetacular.

"Não achamos que o programa vai mudar o jogo em termos das condições de empréstimo e do crescimento dos empréstimos", disse Nick Kounis, chefe de pesquisa macroeconômica do ABN Amro Bank NV, em Amsterdã.

Ele calcula a tomada líquida de recursos em todas as quatro operações do programa entre 100 bilhões e 200 bilhões de euros. "É uma boa ideia, mas não achamos que levará a uma disparada na concessão de empréstimos."

Abaixo de zero

Inicialmente, as operações trimestrais sob o TLTRO-II usarão a taxa principal de refinanciamento, atualmente em zero. Essa taxa pode cair e se igualar à taxa de depósito, atualmente em menos 0,4%, se os bancos expandirem a carteira elegível de empréstimos em 2,5% até o fim de janeiro de 2018.

O presidente do BCE, Mario Draghi, expressou confiança de que o plano - anunciado em março como parte de um pacote de estímulos mais amplo - vai sustentar a frágil recuperação econômica da região.

Seu predecessor, o TLTRO-I, já repassou aos bancos 426 bilhões de euros a taxas baixas, mas não inferiores a zero. Nas palavras de Draghi, "foi uma experiência de bastante sucesso".

Sob uma opção de pagamento antecipado, os bancos vão devolver 368 bilhões de euros daquele montante em 29 de junho.

As instituições vão desembolsar isso e tomar mais dinheiro emprestado -- cerca de 420 bilhões de euros na primeira operação sob o TLTRO-II, de acordo com a pesquisa da Bloomberg. Será realizada uma operação derradeira sob o TLTRO-I, que já estava agendada para 23 de junho, e a adesão tende a ser mínima.

Um motivo para captar uma quantia enorme agora é a oportunidade momentânea. A operação ocorrerá na mesma data do referendo no Reino Unido sobre a saída da União Europeia. Um resultado pela saída poderia causar choques nos mercados e enxugar o acesso dos bancos britânicos a euros. Mas esses bancos são elegíveis se tiverem operações na união monetária.

A dois dias do referendo, diferentes pesquisas de opinião apontam liderança para os dois lados. O megainvestidor George Soros alertou que a libra esterlina pode sofrer acentuada desvalorização se os eleitores votarem pela saída da UE.

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