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Bolívia, queridinha dos títulos especulativos, entra na mira da Moody's

Sebastian Boyd e Eduardo Thomson

(Bloomberg) -- Os investidores estão rejeitando uma antiga favorita, a Bolívia, depois que a a agência de classificação de risco Moody's Investors Service ameaçou rebaixar a nota de crédito do país.

A Moody's reduziu a perspectiva da nota de grau especulativo Ba3 para negativa no dia 10 de junho e mencionou a relutância do governo em reduzir gastos diante da queda da receita fiscal. Isso acabou com seis meses de avanços em US$ 1 bilhão em papéis da Bolívia.

O rendimento extra exigido pelos investidores para comprar a dívida em vez de títulos do Tesouro dos EUA aumentou 0,6 ponto percentual em junho, a maior alta desde março de 2015.

O presidente Evo Morales se recusou a diminuir o gasto público embora os preços do gás natural, que responde por 75% das exportações, tenham despencado. A receita caiu US$ 6 bilhões nos últimos 24 meses e o FMI (Fundo Monetário Internacional) projeta que o déficit orçamentário vai disparar em 2016 para o valor mais alto em 13 anos.

Apesar do discurso socialista de Morales, os investidores deram à Bolívia o benefício da dúvida em comparação com o Equador e a Venezuela, cujos presidentes têm visões políticas semelhantes. Isso está começando a mudar à medida que a Bolívia se endivida.

"Esses títulos são negociados com um rendimento que achamos baixo e, se analisarmos os papéis de outros países com líderes esquerdistas, normalmente eles têm rendimentos muito mais altos", disse Joe Kogan, diretor de estratégia para mercados emergentes da Scotia Capital Markets. "Parte da proposta de investimento era que eles não teriam muitas dívidas".

A dívida líquida do governo boliviano chegará a 37% do PIB neste ano, mais do que o dobro do nível de 2014, segundo o FMI.

O aumento nos custos do crédito também pode chegar em um mau momento. A Bolívia planeja vender US$ 1 bilhão em dívida no exterior para financiar a construção de hospitais novos, disse o ministro da Economia, Luis Arce, no dia 9 de junho, segundo a IFR.

O Ministério da Economia não deu retorno a telefonemas e e-mails com perguntas sobre o plano da Bolívia para emitir dívida no exterior.

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