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Brasil vai exportar milho aos EUA mesmo com aperto na oferta

Megan Durisin e Tatiana Freitas

(Bloomberg) -- O milho do Brasil está a caminho dos EUA, maior exportador do mundo, justo quando o país sul-americano enfrenta uma escassez desse grão.

O navio Samsun deverá chegar no dia 12 de agosto ao porto em Wilmington, na Carolina do Norte, EUA, uma região com grandes operações com frangos e suínos, de acordo com o cronograma de embarcações da autoridade portuária do estado. O navio foi reservado pela Coamo, principal cooperativa de produtores do Brasil, e deverá ser carregado no porto de Paranaguá com 54.000 toneladas do grão, disse Kenya Maciel, analista da Williams Brazil, em entrevista por telefone na semana passada.

A notícia desse carregamento chega em um momento em que os traders esperavam que as remessas do grão fluíssem na direção oposta. O clima seco significa que os criadores de animais estão enfrentando uma surpreendente escassez de milho, cujos preços locais mais do que dobraram nos últimos 12 meses. O Brasil, que ainda não recorreu à oferta dos EUA em um contexto de regulamentações estritas sobre grãos, poderia aprovar a importação de algumas variedades de milho geneticamente modificado, disse o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller, em um evento em São Paulo na semana passada.

O carregamento do Samsun provavelmente foi reservado perto do começo do ano, quando as reservas brasileiras pareciam abundantes e os preços estavam mais baixos, de acordo com a CHS Hedging. A Coamo não respondeu imediatamente a perguntas sobre o carregamento. No ano-calendário de 2015, os EUA importaram cerca de 104.000 toneladas de cereais secundários do Brasil, uma categoria que inclui o milho, mostram dados do governo.

'Questão de programação'

"É apenas uma questão de programação", disse Joe Lardy, gerente de pesquisa da CHS Hedging em Inver Grove Heights, Minnesota, EUA, por telefone no dia 17 de junho. "Tenho certeza de que essa venda estava programada há muitos meses. No começo da temporada de cultivo, a safra do Brasil parecia excepcionalmente grande. Considerando esse contexto, fazia sentido".

Os futuros mais ativos do milho subiram mais de 20 por cento neste ano na Câmara de Comércio de Chicago porque os importadores recorreram aos produtores americanos devido ao aperto da oferta no Brasil. A perspectiva de clima quente no centro-oeste dos EUA nesta temporada de cultivo também gerou temor de que a produção americana pudesse ser prejudicada.

Apesar do aumento dos futuros, vender milho para o mercado doméstico do Brasil é mais rentável do que exportá-lo, porque os compradores locais estão dispostos a pagar um prêmio de até 75 por cento em relação ao contrato da Câmara de Comércio de Chicago, disse Steve Cachia, analista em Curitiba da corretora de cereais Cerealpar. No entanto, os volumes de exportação provavelmente irão aumentar nos próximos meses, porque as colheitas da safra de inverno estavam prometidas para a exportação há meses. Mais de 60 por cento do milho de inverno no Mato Grosso, maior estado produtor do Brasil, já tinha sido vendido antes dos preços domésticos dispararem, de acordo com Cachia.

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