Venezuela busca dolarização para salvar setor automotivo, dizem fontes

Fabiola Zerpa e Andrew Rosati

(Bloomberg) -- A Fiat Chrysler, a General Motors e a Toyota estão perto de fechar um acordo para retomar a fabricação de carros na Venezuela depois que o governo permitiu que vendessem sua produção em dólares, segundo pessoas informadas sobre as negociações.

O plano é semelhante ao acordo fechado pela Ford no ano passado. Segundo esse acordo, os venezuelanos pagam adiantado às concessionárias da Ford em um plano com duas moedas: dólares pelos materiais de produção, que são importados; bolívares para cobrir os custos de montagem local dos veículos.

A Venezuela vem sendo castigada pelo colapso internacional dos preços das commodities. Como os petrodólares secaram, as fabricantes foram impedidas de importar peças para montar veículos na Venezuela ou de repatriar seus lucros. Em todos os setores da economia a produção local foi freada e as importações foram limitadas, causando escassez crônica de alimentos e de diversos produtos básicos.

A Fiat-Chrysler teria assinado um acordo com o governo na semana passada para venda e produção de veículos em dólares, segundo pessoas familiarizadas com a empresa. A Toyota pretende anunciar seus planos oficialmente em julho com a esperança de reativar as linhas de produção até o fim do ano, disseram outras, enquanto pessoas familiarizadas com a GM dizem que a empresa com sede em Michigan, EUA, planeja iniciar a montagem local de alguns modelos no mês que vem.

A General Motors e um representante do Ministério da Informação da Venezuela preferiram não comentar sobre a perspectiva de acordo. Porta-vozes locais da Toyota e da Fiat não estavam imediatamente disponíveis para comentar.

Em março, o presidente Nicolás Maduro anunciou um acordo para "reativar" o setor automotivo do país. Diversas fabricantes -- incluindo Chery Automobile, GM, Fiat-Chrysler, Ford, IVECO, Mack Trucks e Mitsubishi -- participaram das reuniões, que Maduro classificou como uma vitória dupla que ajuda a gerar receitas no país, em dificuldades financeiras.

Apesar do possível acordo, os níveis de produção continuam caindo para mínimas históricas no país-membro da Opep. Segundo a Câmara Automotiva da Venezuela (Cavenez), 1.227 automóveis foram produzidos no país até maio deste ano, a maioria pela Ford.

Os envolvidos nas negociações recentes dizem que o fechamento de acordos é lento porque as fabricantes de veículos buscam cancelar as rígidas regulações para a energia implementadas durante o governo do falecido presidente Hugo Chávez e reduzir impostos em todo o setor.

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