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Mercados de crédito são atingidos por ondas de choque de Brexit

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Ondas de choque reverberaram pelos mercados de crédito depois que o Reino Unido votou por abandonar a União Europeia.

Indicadores do risco para títulos corporativos e mercados monetários dispararam. O Markit iTraxx Europe Index de swaps de crédito que garantem papéis corporativos com grau de investimento registrou a maior alta desde 2008, segundo preços compilados pela Bloomberg. Um indicador do valor dos custos do crédito para os bancos nos próximos meses, conhecido como diferencial FRA/OIS, atingiu o patamar mais extremo desde 2012 e uma taxa fundamental do custo para os bancos de converter fluxos de caixa em euros para dólares aumentou.

A decisão tomada pela Grã-Bretanha pegou de surpresa os investidores porque os mercados financeiros precificaram um triunfo da permanência no bloco de 28 países e as pesquisas mostraram que a votação estava apertada demais para prever o resultado. O Banco da Inglaterra disse nesta sexta-feira que tomará todas as medidas necessárias para garantir a estabilidade, e bancos centrais do mundo inteiro prometeram intervir conforme for preciso para evitar qualquer interrupção da liquidez nos mercados financeiros. O primeiro-ministro David Cameron disse que abandonará o cargo.

"O mercado não estava preparado para isso", disse Geraud Charpin, gerente de carteira da BlueBay Asset Management em Londres, que administra US$ 58 bilhões. "Foi um choque. As pessoas estão lutando".

Compras e vendas

Mais de US$ 19,6 bilhões em proteção no benchmark de grau de investimento mudaram de mãos nesta sexta-feira, quase cinco vezes a média de um dia inteiro, mostram dados da Bloomberg. Traders compraram e venderam US$ 55 bilhões em swaps no índice na semana até agora.

O índice de derivativos de grau de investimento dava um salto de 18 pontos-base, para 92 pontos-base, às 15 horas em Londres, segundo dados compilados pela Bloomberg. O diferencial FRA/OIS de três meses chegou a aumentar de 0,27 ponto percentual na quinta-feira para 0,34 ponto percentual nesta sexta-feira. Esse indicador se refere ao valor projetado pelos traders para a diferença entre a Libor de três meses e a taxa de juros efetiva para os recursos do Federal Reserve -- conhecida como Libor/OIS -- no futuro.

Riscos

O Markit iTraxx Europe Senior Financial Index de swaps de crédito para bancos e seguradoras subiu 30 pontos-base, para 126 pontos-base, o maior aumento desde julho de 2007, segundo dados compilados pela Bloomberg. O benchmark subordinado avançou 52 pontos-base, para 257, o maior salto desde 2014, mostram os dados.

Os papéis mais arriscados emitidos por alguns dos bancos europeus registraram declínios recordes, com base nos dados compilados pela Bloomberg. Um bilhão de euros em notas adicionais Tier 1 (AT1, na sigla em inglês) do UniCredit caiu 7 centavos, para 77 centavos, a maior queda desde 2014, e 1,75 bilhão de euros em AT1 do Deutsche Bank caíram 4 centavos para 79 centavos. 1,1 bilhão em AT1 do Barclays caíram 6 centavos para 89 centavos, mostram dados da Bloomberg.

A queda forte começou durante o trading na Ásia. O Markit iTraxx Asia ex-Japan Index subiu 10 pontos-base, para 147 pontos-base, a maior alta intradiária desde março, segundo dados compilados para a CMA.

"Eu atribuo o pânico dos mercados nesta manhã ao fato de que a Ásia simplesmente não previu a possibilidade de vitória da Brexit", escreveu Bill Blain, estrategista da corretora Mint Partners em Londres, em uma nota a investidores. "Ontem, disseram-lhes que a vitória da permanência na UE estava garantida".

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