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Brexit pode adiar recuperação das commodities, alerta Komatsu

Masumi Suga e Ichiro Suzuki

(Bloomberg) -- A decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia pode atrasar a recuperação dos preços das commodities e a resposta do iene, que se aproximou da casa de 99 por dólar com Brexit, foi uma reação exagerada, segundo o diretor financeiro da Komatsu.

A fabricante de equipamentos de construção com sede em Tóquio, a segunda maior do mundo, atrás apenas da norte-americana Caterpillar, é particularmente sensível aos preços das commodities e à moeda japonesa porque mais de três quartos de suas receitas são obtidas no exterior, inclusive com o equipamento usado para cavar e transportar metais, carvão e outros minerais.

Brexit e o recuo dos investidores ante ativos de maior risco devido à incerteza em relação ao crescimento "jogaria água fria" na recuperação emergente das commodities, disse Mikio Fujitsuka, em entrevista na sede da empresa, na segunda-feira. O Bloomberg Commodity Index, que monitora 22 matérias-primas, entrou em um bull market após uma queda quase contínua desde 2011.

"É difícil imaginar um aumento dos preços das commodities por causa disso", disse Fujitsuka. Enquanto isso, a maior alta do iene em relação ao dólar em quase duas décadas, na sexta-feira, não sinaliza um retorno para os níveis vistos no rescaldo do choque do Lehman. "Não acredito que o câmbio esteja a caminho dos 70 ienes", disse ele.

Queda das ações

As ações da empresa reduziram as perdas e eram negociadas 1,2 por cento mais baixo, a 1.695 ienes, às 11h09 em Tóquio. O Nikkei-225 estava em baixa de 0,4 por cento. A Komatsu caiu 15 por cento neste ano.

Embora o referendo não afete imediatamente a produção da Komatsu no Reino Unido -- o país ainda não iniciou o período de negociação de dois anos para a saída da UE --, Fujitsuka disse que seria possível atender seus clientes europeus com escavadoras enviadas da Tailândia ou da Indonésia se as condições comerciais se tornarem desfavoráveis. A Komatsu emprega cerca de 400 trabalhadores no condado de Durham, no norte da Inglaterra, e também mantém operações na Alemanha e na Itália.

A Komatsu passou por anos difíceis porque a desaceleração da China, maior consumidora de matérias-primas do mundo, derrubou os preços e reduziu os investimentos nas minas que alimentavam seu crescimento. A empresa estima que a demanda do setor por equipamentos de mineração de grande escala tenha caído para menos de um terço dos níveis recorde vistos em 2011.

A Komatsu disse em abril que seus lucros provavelmente cairão em um terço no ano financeiro que terminará em março de 2017 devido à queda da demanda por seus produtos na China e em outras economias emergentes e também porque o iene mais forte tirou competitividade de suas exportações.

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