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Empresas miúdas são negociadas como gigantes em Bolsa chinesa

Bloomberg News

(Bloomberg) -- O reinado da Bolsa de Valores de Xangai como principal local de negociação de ações chinesas está chegando ao fim.

Pela primeira vez em pelo menos uma década, a bolsa mais antiga da China perdeu a liderança do ranking de giro que inclui as quatro principais bolsas do país. A nova líder é a plataforma de pequenas e médias empresas (SME, na sigla em inglês) da bolsa de Shenzhen, com 12 anos de existência e voltada para companhias não estatais, que chegou ao topo pela primeira vez no dia 17 de maio. Desde então, disputa o primeiro lugar com Xangai. O volume diário médio de negócios nas duas bolsas nos últimos cinco pregões ficou em cerca de 180 bilhões de yuans (US$ 27,1 bilhões).

É uma reversão dramática da trajetória de Xangai, onde uma onda especulativa levava os preços das ações a recordes há apenas 12 meses. Desde então, o giro desabou 86 por cento, com investidores rejeitando empresas estatais e preferindo ações da "nova economia", que dominam o mercado de Shenzhen. Um exemplo dessa mudança extrema é que o giro atual nas ações da pouco conhecida empresa de tecnologia Beijing Sevenstar Electronics Co. é o dobro do giro do Industrial & Commercial Bank of China Ltd. (ICBC), o banco estatal com valor de mercado 100 vezes maior.

"Os investidores estão dispensando Xangai, por ser dominada por setores tradicionais e sem grande potencial de crescimento", afirmou Dai Ming, gestor de recursos da Hengsheng Asset Management Co., em Xangai. "O foco do mercado está nas small caps."

A ascensão da plataforma de Shenzhen reflete o entusiasmo pelo investimento temático entre os 107 milhões de chineses que negociam ações e frequentemente se concentram em setores com perspectivas atraentes de crescimento, enquanto o mercado mais amplo está em queda. Atualmente, estão entre os "quentes" os fabricantes de baterias de lítio e de equipamentos de LED e empresas de e-commerce.

"A plataforma SME tem mais ações disponíveis para investimentos temáticos específicos", explicou Ken Chen, analista da KGI Securities Co., em Xangai. "Considerando que a economia da China não vai se acelerar tão cedo e que setores tradicionais estão penando, essa preferência por ações de pequenas e médias empresas pode durar algum tempo."

Ajuda bastante o fato de as ações da SME terem mais volatilidade que as de Xangai, característica que atrai especuladores interessados em operações de curto prazo. A oscilação de preços do índice da plataforma SME nos últimos 30 dias foi 53 por cento maior do que no caso do índice Shanghai Composite, que tem 1.145 componentes e suas flutuações limitadas pela intervenção do governo em instituições de grande valor de mercado, como o próprio ICBC.

Giro alto nem sempre significa bom desempenho. O índice da plataforma SME acumula queda de 15 por cento neste ano, após subir 75 por cento em 2015, em cima de apostas de que a China migraria para uma economia movida a serviços e gastos do consumidor. Os índices de referência das bolsas de Xangai e Shenzhen acumulam baixas de 18 por cento e 16 por cento em 2016, respectivamente. O índice da plataforma SME avançou 1,2 por cento na terça-feira e o índice Shanghai Composite fechou com alta de 0,6 por cento.

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