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Espanha dobra retorno do investidor em títulos no ano com Rajoy

Ben Sills e Maria Tadeo

(Bloomberg) -- Os investidores em títulos avaliam que Mariano Rajoy é o favorito na disputa que pode lhe garantir um segundo mandato como primeiro-ministro da Espanha, embora os analistas políticos ainda apontem diversos obstáculos pela frente.

Os gestores de recursos vêm comprando títulos de 10 anos, produzindo o melhor rali de três dias desde 2013, depois que o Partido Popular de Rajoy ganhou mais votos que o esperado na eleição de 26 de junho.

O rendimento ficou abaixo dos títulos italianos comparáveis pela primeira vez em um ano, sinalizando que os investidores veem uma perspectiva mais positiva para o país ibérico em meio à turbulência nos mercados financeiros desencadeada pela decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia três dias antes.

"Nós damos preferência aos títulos espanhóis a médio prazo", disse Mohit Kumar, chefe de estratégia de taxas do banco corporativo e de investimento do Crédit Agricole em Londres. "O risco político na Espanha era um dos principais fatores de preocupação, contudo os resultados da eleição foram mais favoráveis ao mercado do que o esperado".

Após quase sete meses de impasse político, a Espanha parece estar mais perto de formar um governo viável. Se os partidos rivais permitirem que Rajoy lidere novamente, mesmo em um governo de minoria, a Espanha poderá começar a elaborar o orçamento do ano que vem e a negociar mais ajustes de gastos com a UE. O país tenta, ao mesmo tempo, evitar uma multa da UE por descumprir persistentemente suas metas de redução do déficit.

O rendimento dos títulos de 10 anos da Espanha caiu 37 pontos-base, ou 0,37 ponto percentual, desde os resultados da eleição. Nos três primeiros dias desta semana os títulos do país entregaram aos investidores um retorno de 2,4%, segundo os Bloomberg World Bond Indexes, que se somaram a um ganho de 2,3% no ano até sexta-feira.

Sem maioria

O partido do primeiro-ministro em exercício aumentou sua representação no Parlamento de 123 para 137 assentos com a queda de todos os seus rivais. Mesmo assim, ainda faltam a ele 39 votos para ter a maioria da câmara, composta por 350 assentos, e por enquanto nenhum de seus oponentes está pronto para ceder.

O porta-voz do Partido Socialista, Antonio Hernando, prometeu um dia após as eleições que seu partido votará contra Rajoy se ele tentar obter o apoio do Parlamento, mesma decisão do líder do Ciudadanos, Albert Rivera.

Nenhum analista acredita que o grupo antiestablishment Podemos ajudará. Estes três partidos contam, juntos, com 188 assentos no Parlamento, o suficiente para manter o PP de Rajoy de fora se mantiverem suas convicções. Isto deixa um ponto de interrogação.

"Um governo de minoria liderado pelo PP ainda é o cenário mais provável, mas o processo para chegar a ele não será suave", disse Antonio Barroso, analista da Teneo Intelligence em Londres, em nota a clientes. "É pouco provável que as negociações sejam fáceis".

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