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Análise: EUA precisam de relatório de empregos forte

Mohamed El-Erian

(Bloomberg) -- A economia dos EUA necessita que os dados mensais sobre empregos que serão publicados na sexta-feira incluam uma recuperação da geração de postos de trabalho, um maior crescimento dos salários e um aumento da taxa de participação no mercado. É disso que o Federal Reserve e os investidores também precisam para possibilitar tanto uma normalização organizada da política monetária a longo prazo quanto melhoras sustentáveis do bem-estar econômico e financeiro. No entanto, ironicamente, o efeito imediato de um relatório positivo sobre os empregos seria aumentar a confusão nos mercados e nas decisões de política econômica, que já enfrentam uma "incerteza incomum".

O relatório de junho revelará se os dados inesperadamente decepcionantes relativos a maio, publicados há um mês, indicaram um enfraquecimento dos mercados de trabalho ou se foram apenas um caso atípico (como espero que tenha sido). Por isso, desta vez os indicadores da geração de emprego serão alvo de mais atenção, incluindo o número geral relativo a junho e as revisões dos meses anteriores.

No entanto, esses números estão longe de serem os únicos importantes. Será igualmente significativo saber se o relatório aponta para um crescimento salarial mais forte e o que ele diz sobre a velocidade em que a taxa de participação no mercado poderá reverter a queda registrada em maio e superar de uma vez por todas um nível que está incomodamente perto do valor mais baixo em várias décadas.

Meses seguidos de resultados sólidos nessas três áreas são um requisito para uma recuperação econômica mais robusta e sustentável, para validar os preços existentes dos ativos, reduzir o risco de instabilidade financeira no futuro e promover uma normalização organizada das políticas do Fed ao longo do tempo. Em resumo, são uma condição prévia necessária para sustentar o bem-estar e a prosperidade a médio prazo. Mas, a curto prazo, avanços adicionais poderiam perturbar os mercados e criar outro enigma para o banco central dos EUA.

Depois do relatório desanimador de maio e do impacto desfavorável do referendo do Brexit sobre as perspectivas de crescimento europeias -- assim como a probabilidade de que pelo menos três bancos centrais com influência sistêmica (Banco da Inglaterra, Banco do Japão e Banco Central Europeu) flexibilizem mais suas políticas -- os mercados de renda fixa basicamente eliminaram do cálculo de preços a possibilidade de que o Fed eleve os juros no futuro imediato. O atual consenso entre os participantes do mercado é que o Fed só intervirá quando o próximo ano estiver bem avançado. Essa previsão foi reforçada pela recente valorização do dólar, que serve para ajustar as condições financeiras.

Nesse contexto, um relatório de empregos forte injetaria uma volatilidade dupla e notável nos yields dos títulos do governo e poderia pressionar as ações. Também deixaria o Fed em uma posição mais complicada ao amplificar a mensagem transmitida pela ata da reunião de junho do Comitê Federal de Mercado Aberto, publicada na quarta-feira, que aponta para os desafios de comunicação associados com a sinalização de intenções em meio a um panorama incomum de incerteza nos EUA e no exterior.

Mesmo assim, uma maior volatilidade nos mercados e o incômodo para o Fed no curto prazo seriam um preço pequeno a pagar por um relatório de empregos forte que estabeleça as bases para uma posição mais sólida para as famílias americanas, estimule os investimentos empresariais e fortaleça as perspectivas de crescimento para os EUA e para o mundo.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial da Bloomberg LP e nem a de seus proprietários.

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