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Investidores não se abalam com nova queda da moeda chinesa

(Bloomberg) -- Na última vez em que a moeda da China caiu tão rapidamente os investidores de todo o mundo reagiram fugindo dos ativos de maior risco. Agora, eles estão encarando os declínios com tranquilidade.

Apesar de o yuan ter desvalorizado 1,5 por cento nas duas últimas semanas, atingindo o menor patamar desde novembro de 2010, as ações dos países em desenvolvimento e dos EUA se mantiveram estáveis no período e o índice de volatilidade VIX despencou. Nem mesmo o revés da decisão do Reino Unido, em referendo, de deixar a União Europeia perturbou os mercados que há apenas seis meses entravam em convulsão com cada declínio da moeda chinesa.

Os investidores internacionais estão ficando mais à vontade com um yuan mais fraco depois que o banco central da China melhorou sua comunicação com os mercados e adotou medidas para evitar uma espiral negativa de depreciação e fugas de capital. O HSBC Holdings vê poucas chances de retorno da turbulência que ocorreu em janeiro, enquanto a Beijing Gao Hua Securities diz que a moeda chinesa se valorizará mais na comparação com uma cesta de moedas de parceiros comerciais do país até o fim do ano.

"Desta vez as coisas estão diferentes", disse Song Yu, economista-chefe em Pequim para a China da Gao Hua, empresa parceira da joint-venture com o Goldman Sachs na parte continental do país. Ele é o analista mais bem classificado para a economia da China desde que a Bloomberg criou seu ranking, em 2013. "A desvalorização recente do yuan não gerou uma grande volatilidade nos mercados financeiros ao redor do mundo e não houve posições especulativas pesadas e vendidas para a moeda, nem indivíduos em pânico tentando converter posições em yuans a dólares."

Dano colateral

Quando a moeda chinesa caiu, em janeiro, em meio a oito dias seguidos de fixações depreciadas do yuan pelo banco central, os prejuízos contribuíram para uma forte queda do mercado internacional de ações e geraram mais de US$ 144 bilhões em fugas de capital da maior economia da Ásia. O Shanghai Composite Index registrou seu maior salto mensal em sete anos.

Desde então, o banco central tem buscado explicar melhor suas intenções aos investidores. O presidente do Banco Popular da China, Zhou Xiaochuan, disse à diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, em junho, que o governo intensificará os esforços para educar o público sobre o mercado, enquanto o premiê Li Keqiang incentivou o banco central a melhorar sua comunicação realizando mais entrevistas coletivas e aceitando pedidos de entrevistas.

O economista-chefe do departamento de pesquisa do banco central concordou em dar uma rara entrevista no mês passado para explicar como funciona a cesta que monitora o yuan contra outras 13 taxas de câmbio e como o banco central estabelece suas fixações diárias, que restringem as oscilações do yuan onshore a 2 por cento para mais ou para menos.

"O mercado parece ter um melhor entendimento do atual mecanismo de fixação e parece ser mais capaz de digerir a volatilidade que o acompanha", escreveram estrategistas do UBS Group, incluindo Maximillian Lin, em nota na segunda-feira. "Nós acreditamos que a comunicação melhor do banco central levou a um mercado mais estável."

Para entrar em contato com o repórter: Tian Chen em Pequim, tchen259@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto tmarotto1@bloomberg.net, Daniela Milanese

©2016 Bloomberg L.P.

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