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Alguns problemas dos bancos europeus: juros baixos e calotes

Alastair Marsh

(Bloomberg) -- Os bancos da Europa têm sido peça central do nervosismo dos investidores desde que os britânicos decidiram, em referendo, deixar a União Europeia. Mas os motivos de preocupação com as empresas financeiras vêm antes da votação.

Com uma montanha de empréstimos em atraso, o desafio das empresas de tecnologia financeira e dos bancos alternativos que avançam sobre seu território e as taxas de juros baixíssimas que corroem as margens, os bancos da Europa enfrentam problemas gigantescos.

A situação é tão complicada que o vice-presidente do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio, dedicou mais de 8.000 palavras ao assunto na quinta-feira. Segundo ele, os bancos da Europa estão "sob cerco".

Abaixo, algumas das frentes de batalha:

Juros baixos

Os bancos têm dificuldades para aumentar as receitas durante longos períodos de juros baixos e crescimento fraco. As taxas próximas de zero estão reduzindo as margens líquidas de juros.

Empréstimos em atraso

Não são apenas os bancos italianos que têm créditos de liquidação duvidosa. As grandes instituições de toda a zona do euro possuem um total combinado de aproximadamente 950 bilhões de euros (US$ 1,05 trilhão) em empréstimos em atraso, o equivalente a cerca de 9 por cento do PIB. Esses empréstimos reduzem a rentabilidade, consomem capital e amarram recursos.

O progresso tem sido lento na redução do montante de empréstimos em atraso e o peso de 360 bilhões de euros em créditos inadimplentes na Itália poderia ser a próxima dor de cabeça da Europa.

Tecnologia financeira

A tecnologia financeira ? um rótulo amplo, que abrange uma série de empresas que utilizam softwares para fornecer serviços financeiros ? ameaça arrebatar participação de mercado em áreas como os serviços de pagamentos e a gestão de poupanças e investimentos. Contudo, não é fato consumado que as empresas desse segmento tirarão os bancos tradicionais do jogo porque eles também adotarão novas tecnologias e defenderão suas franquias, segundo Constâncio, do BCE.

Regulação e mais regulação

A regulação é uma das poucas áreas de crescimento do setor bancário desde a crise financeira, com novas regras sobre o capital, a liquidez e a alavancagem. Contudo, a nova redação do manual bancário pós-crise ainda não foi concluída e possivelmente mais áreas de desenvolvimento cobrirão o tratamento das exposições soberanas e da resolução bancária.

O ajuste das regras atuais e a adição de novas normas está mantendo os bancos ocupados. E não se trata apenas de regras para títulos: a onda de populismo político também não está ajudando.

Baixa rentabilidade

Como resultado de tudo isso, os bancos europeus estão em um período prolongado de baixa rentabilidade que provavelmente não se reverterá tão cedo. Os lucros dos maiores bancos da região são menores que seus custos de capital desde a crise financeira de 2008, o que obriga a um longo período de reestruturação e austeridade.

O ceticismo em relação ao potencial dos bancos europeus para aumentar a rentabilidade está impulsionando a precificação nos mercados de ações e de dívidas, e os bancos estão apresentando desempenho inferior ao de outros setores.

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