Lucros trimestrais S&P 500 mostram queda longa e menos profunda

Lu Wang

(Bloomberg) -- A recessão nos ganhos nos EUA que está freando o bull market de sete anos tem sido longa por qualquer padrão. Medida por sua profundidade, contudo, ela não está sendo registrada -- nem na história, nem pelos investidores.

Os lucros trimestrais do índice S&P 500 estão prestes a cair novamente, estendendo uma sequência de declínios que deverá igualar o mais longo recuo dos lucros da história, mostram dados compilados pela S&P Dow Jones Indices e pela Bloomberg. Ao mesmo tempo, o lucro líquido no índice está em baixa de 18 por cento em relação ao pico de 2014 -- um recuo que é de menos da metade do tamanho das últimas três quedas e que perde importância frente à média de 28 por cento das recessões ocorridas desde 1936.

Embora a falta de crescimento dos lucros explique por que o S&P 500 não tem conseguido avançar por mais de um ano, a superficialidade menos anunciada do declínio é fundamental para entender a resiliência do mercado. O índice de referência acionário caminha para a maior alta de todos os tempos depois de registrar uma segunda semana de ganhos após a forte queda do Brexit quando se recuperou de duas correções separadas de 10 por cento em 10 meses.

"A recessão, em si, assusta as pessoas, mas a superficialidade mostra que esta não é uma recessão alavancada -- não temos o contágio global dos problemas do Lehman", disse Matt Lloyd, diretor de estratégia de investimento da Advisors Asset Management, que administra US$ 16,5 bilhões em Monument, Colorado, EUA. "Podemos chamar isto de recessão nos resultados, mas é preciso entender que a recessão econômica é menos provável".

Confiança nos lucros

A fé do investidor na recuperação dos lucros é visível segundo outra métrica do mercado, as avaliações, que se ampliaram porque a recuperação dos lucros foi adiada diversas vezes. A 25 vezes o lucro reportado, usando contabilidade padrão, o S&P 500 é negociado a um múltiplo mais elevado do que em 90 por cento do tempo nas últimas oito décadas. A razão média é de 17.

As ações dos EUA subiram na semana passada quando dados do governo mostraram que as empresas americanas geraram mais empregos em junho do que o previsto pelos economistas, o que fortaleceu o otimismo de que a maior economia do mundo é capaz de suportar uma desaceleração global.

Com base nos lucros calculados de acordo com princípios contábeis geralmente aceitos, as empresas do S&P 500 registraram crescimento negativo por seis trimestres seguidos, uma sequência que foi superada apenas uma vez desde 1936: a queda de sete trimestres da recessão 2007-2009.

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