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Mercado de títulos do Tesouro americano esquenta na madrugada

Tracy Alloway

(Bloomberg) -- Quem negocia títulos do Tesouro americano anda operando na calada da noite.

Riscos globais como o desaquecimento econômico da China e o referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia transformaram esses investidores em corujas, de acordo com pesquisa recém-concluída pelo JPMorgan Chase & Co. Concomitantemente, a diminuição das facilidades no mercado de dívida pública dos EUA incentiva investidores a utilizarem derivativos para apostas em plena madrugada, em vez de negociarem os instrumentos financeiros subjacentes.

Há relatos de que a liquidez do mercado de títulos do governo americano se deteriorou, em parte por causa de novas regras bancárias e da política monetária pós-crise, que obriga o Federal Reserve a segurar enormes quantias de papéis, mesmo com o aumento do volume dessa dívida.

Para compensar a falta de liquidez, os investidores buscam instrumentos sintéticos que replicam o comportamento dos títulos negociados no mercado à vista, de acordo com analistas do JPMorgan, Goldman Sachs Group Inc. e Citigroup Inc. No mercado de títulos do Tesouro americano, que movimenta US$ 13,4 trilhões, isso significa usar contratos futuros em vez de trocar os papéis de fato.

Há mais atividade antes da abertura dos mercados nos EUA, segundo as instituições, porque os investidores tentam se posicionar de modo a avaliar os dados globais e aqueles que trabalham em outros fusos horários buscam proteger quantias cada vez maiores de ativos denominados em dólares. Isso deixa uma parcela maior dos negócios no mercado de futuros overnight.

As duas tendências se evidenciaram no mês passado, na noite em que se soube da decisão do eleitorado britânico de sair da UE, de acordo com analistas do JPMorgan.

"À medida que diminui a profundidade do mercado, os futuros agora superam o mercado à vista por uma margem maior do que se via há alguns anos", escreveram em relatório os analistas do JPMorgan Josh Younger e Jay Barry. "O exame detalhado desse evento é complementar a trabalhos anteriores, uma vez que o Brexit foi um evento macroeconômico significativo que não foi amplamente antecipado pelos mercados."

O volume durante o horário regular de negociações em Tóquio disparou na noite do referendo para mais de 20 vezes a média recente, afirmaram os analistas.

"Embora igualmente verdadeiro para os mercados à vista e de futuros, o último teve a ampla maioria do fluxo ? de fato, alguns dos volumes mais pesados do dia foram negociados no horário de Tóquio, o que é extremamente incomum", concluíram.

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