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Morgan Stanley tem teorias para desempenho ruim de hedge funds

Julie Verhage

(Bloomberg) -- O desempenho dos hedge funds continua sendo um assunto quente, mas ninguém quer assumir a culpa pelos retornos baixos.

Uma pesquisa realizada por Adam Parker, estrategista de ações do Morgan Stanley, ressalta o estilo avestruz adotado por boa parte do setor de hedge fund para lidar com sua recente incapacidade para gerar o escorregadio bom desempenho conhecido como alfa.

"Nós fizemos uma pesquisa com um grupo de gerentes de hedge funds de ações fundamentalistas long/short em uma das conferências, perguntando a eles o principal motivo para o desempenho ruim de seu setor", escreve ele.

A principal resposta recebida pelo analista foi "aglomeração", ou seja, quando um grande número de investidores está no mesmo negócio, seguida de "exposições", ou prejuízos baseados em determinados riscos envolvidos em uma posição.

O último item da lista foi "seleção de ações" --uma falha que Parker criticou vigorosamente.

"Em outras palavras, quando o desempenho é ruim, é beta, quando o desempenho é bom, é alfa. A verdade é que 100% dos consultados deveriam, de algum modo, ter dito 'má seleção de ações' e o que esses dados revelam é que 92% dos participantes estão culpando outras coisas, em vez da metodologia de seleção de ações, pelo atual desempenho ruim."

Claramente insatisfeito com as respostas da pesquisa, Parker destaca algumas de suas próprias teorias para o desempenho ruim dos hedge funds em sua nota.

Uma delas é o simples crescimento dos hedge funds, que torna mais difícil que os investidores adotem posições que não estão aglomeradas e ganhem uma vantagem. Em segundo lugar, muitas empresas têm sido extremamente cautelosas no sentido de assegurar que não estão negociando com base em alguma informação que possa vir a ser considerada "privilegiada" após algumas investigações que receberam grande destaque.

Em uma nota possivelmente relacionada, Parker salienta que as informações são muito mais fáceis de encontrar atualmente, o que torna mais difícil para as empresas conseguir uma vantagem em uma transação. 

Até mesmo a falta de ofertas públicas iniciais está prejudicando os hedge funds porque o dinheiro fácil que antes estava disponível em negociações rápidas de empresas de capital recém-aberto nos anos 1990 é difícil de encontrar quando ninguém quer abrir capital.

Parker não considera que os hedge funds tenham uma melhora rápida pela frente, mas há sinais de uma possível recuperação.

"Quando o desempenho além do normal voltará a ser uma probabilidade? Nossa suspeita é que é necessário haver uma dispersão muito maior e não há probabilidade de isso ocorrer enquanto os juros de longo prazo não recuarem significativamente ou a volatilidade econômica não crescer concretamente.

Apesar disso, a dispersão é claramente maior do que há um ano e a gestão ativa ainda não desfrutou de uma melhora de desempenho. Há esperanças de que no fim deste ano não precisemos de nenhuma desculpa devido a uma boa seleção de ações."

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