Títulos do Tesouro dos EUA entram no 'mundo da japanização'

Wes Goodman

(Bloomberg) -- Os maiores otimistas em relação aos títulos do Japão, com a experiência de duas décadas de estagnação econômica, afirmam que a queda dos rendimentos para menos de zero em Tóquio é sinal de ganhos recorde para os títulos do Tesouro dos EUA.

A Mitsubishi UFJ Kokusai Asset Management diz que os yields das notas americanas com vencimento em dez anos cairão para 1 por cento já neste mês. A Sumitomo Mitsui Trust Asset Management diz que isso é provável em 2017 e a Mizuho Asset Management projeta que a cifra caia ainda mais.

O rendimento, uma referência para todo tipo de valores, de hipotecas nos EUA a papéis em dólares de países em desenvolvimento, atingiu a taxa sem precedente de 1,318% na semana passada. Um relatório sobre emprego que mostrou forte alta não conseguiu deter a alta.

"Bem-vindos ao mundo da japanização", disse Hideo Shimomura, 49, diretor de investimentos em fundos da Mitsubishi UFJ Kokusai em Tóquio, que administra cerca de US$ 119 bilhões. "Um por cento é inevitável".

Shimomura tem 20 anos de experiência em títulos e está otimista em relação aos títulos do Tesouro dos EUA desde 2010, vendo o rendimento para a nota com vencimento em 10 anos despencar 2,5 pontos percentuais enquanto o do Japão caía para zero.

Ele viu as mesmas tendências do Japão nos EUA, com o envelhecimento da população e a concorrência de fabricantes de baixo custo, que esfriam a inflação. Os custos mais altos de assistência social limitam a margem para o estímulo fiscal, o que estimula as autoridades monetárias a injetar dinheiro na economia, onde os bancos colocam dinheiro em papéis em vez de utilizá-lo para fazer empréstimos.

Desafio demográfico

A experiência japonesa mostra que não há limite para a queda dos rendimentos, disse Yusuke Ito, investidor sênior em Tóquio da Mizuho Asset, que administra cerca de US$ 50 bilhões. O yield das notas do país com vencimento em 10 anos chegou a cair para -0,3%, e o das notas com vencimento em 20 anos atingiu -0,005 por cento.

Embora os EUA sejam mais acolhedores com imigrantes do que o Japão, isso não bastará para compensar a pressão descendente sobre a economia, disse Ito. Em agosto, ele alertou que o Federal Reserve (Fed) "ia atuar prematuramente" ao elevar as taxas de juros, com base na experiência japonesa.

Os yields dos títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em 30 anos atingiram a taxa sem precedentes de 2,0882 por cento nesta segunda-feira, embora o Departamento de Trabalho dos EUA tenha informado no final da semana passada que o país criou 287 mil empregos em junho, frente aos 180 mil projetados por economistas em uma pesquisa da Bloomberg. A média de crescimento do emprego nos últimos três meses foi de 147 mil frente a cerca de 196 mil no primeiro trimestre.

"Quase não há motivos para reduzir a exposição", disse Hajime Nagata, investidor em papéis para a Diam em Tóquio. "Nossa expectativa para a economia dos EUA provavelmente é pior que a do mercado".

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