Abe diz a Bernanke que espera acelerar fim de deflação no Japão

Emi Nobuhiro e Yoshiaki Nohara

(Bloomberg) -- O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse ao ex-presidente do Federal Reserve, Ben S. Bernanke, em reunião em Tóquio, que deseja acelerar a saída do país da situação de deflação, ressaltando seu compromisso com a implementação de novos estímulos econômicos.

"Estamos a apenas meio caminho de deixar a deflação para trás", disse Abe no início da reunião em sua residência, nesta terça-feira. "Queremos manter a firmeza da aceleração do nosso rompimento com a deflação".

As declarações de Abe na reunião, da qual também participaram a principal autoridade monetária do Ministério das Finanças, Masatsugu Asakawa, e o conselheiro Koichi Hamada, vieram à tona antes de Abe ordenar ao ministro da Economia, Nobuteru Ishihara, a estruturação de medidas de estímulo neste mês.

Em comentários feitos após a reunião, Ishihara não deu detalhes sobre o tamanho do pacote, dizendo que ele poderá ser financiado pela emissão de títulos de construção e não por títulos de déficit. O governo indicou que deseja fazer uso pleno do ambiente de taxas de juros baixas.

Hamada disse a jornalistas após a reunião que Bernanke pediu que Abe levasse adiante seu programa de políticas econômicas, apelidado de Abenomics, complementando a política monetária com política fiscal. Bernanke disse a Abe que o Banco do Japão (BOJ, na sigla em inglês) ainda contava com os instrumentos para uma maior flexibilização monetária, disse Yoshihide Suga, principal porta-voz do governo japonês.

Bernanke almoçou com o presidente do banco central japonês, Haruhiko Kuroda, na segunda-feira. O BOJ não emitiu nenhum comunicado sobre o conteúdo da conversa, que ocorre três semanas antes de sua próxima reunião de política monetária.

O banco central enfrenta uma nova valorização do iene neste ano que pode minar a inflação e reduzir o apetite por investimentos e aumentos salariais.

Para Bernanke, comentar os desafios e as opções de política monetária do Japão não é novidade. Ele fez um discurso famoso em 2003 no qual pediu uma cooperação maior entre bancos centrais e formuladores de políticas fiscais para derrotar a deflação e estimular a economia.

Reuniões anteriores

Na sala durante as reuniões de Bernanke com autoridades japonesas, 13 anos atrás, em Tóquio, estavam Abe e Kuroda, que uma década depois iniciariam um estímulo inédito para reanimar o Japão. Agora, o projeto corre um risco cada vez maior porque a inflação está se distanciando da meta do BOJ e o crescimento do produto interno bruto está longe das metas de Abe.

A visita de Bernanke, que era membro do conselho do Federal Reserve, em 2003 e sua mensagem na época ainda são discutidas pela cúpula do BOJ.

O Japão tem a tradição de buscar conselhos de especialistas do exterior, algo que foi levado a um novo nível sob o comando de Abe, que consultou os prêmios Nobel Paul Krugman e Joseph Stiglitz antes de tomar a decisão, em junho, de adiar um aumento do imposto sobre vendas. Diferentemente da visita de Bernanke desta semana, as reuniões com Krugman e Stiglitz foram muito divulgadas.

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